Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Roedores de laboratório metabolicamente mórbidos

DOL · Dor On Line Edição 117 · Abril 2009 ⭳ Baixar em PDF

De acordo com o estudo, camundongos e ratos sedentários e acima do peso, correspondentes à maioria das cobaias criadas hoje, seriam péssimos análogos do organismo humano normal, o que poderia atrapalhar testes de medicamentos e terapias. O alerta partiu de cientistas liderados por Mark Mattson, do Instituto Nacional de Pesquisas sobre Envelhecimento (EUA). Muitos ratos e camundongos usados em investigações biomédicas são sedentários, obesos, apresentam intolerância à glicose, com uma tendência à morte prematura, o que pode confundir a interpretação dos dados e resultados de estudos em seres humanos. Aspectos fundamentais da fisiologia celular, como a vulnerabilidade ao estresse oxidativo e a inflamação, dentre outros, são associados a muitos processos biológicos afetados pelo balanço energético entre a ingestão de alimentos e exercícios. Roedores sedentários que recebem alimento ad libtum podem ser modelos razoáveis para o estudo da obesidade em humanos. Entretanto, os tratamentos eficazes nestes modelos animais podem revelar-se ineficazes ou apresentar efeitos colaterais em sujeitos ativos, com peso normal. A obesidade é um fator de risco para uma variedade de condições crônicas como diabetes, hipertensão, colesterol alto, acidente vascular cerebral, doença cardíaca, certos tipos de câncer e artrite. Graus mais elevados de obesidade estão associados com elevada mortalidade, principalmente por doenças cardiovasculares, diabetes e certos cânceres. Não podemos deixar de ressaltar aqui um fato que pode contrastar com as declarações dos pesquisadores, pois a prevalência de obesidade nos Estados Unidos continua a ser elevada, superior a 30% na maioria dos sexos e faixas etárias. Referências: Martin B, Ji S, Maudsley S, Mattson MP. "Control" laboratory rodents are metabolically morbid: why it matters. Proc Natl Acad Sci U S A. 2010 Apr 6;107(14):6127-33; Katherine M. Flegal, Margaret D. Carroll, Cynthia L. Ogden, Lester R. Curtin. Prevalence and Trends in Obesity Among US Adults, 1999-2008 JAMA. 2010; 303(3):235-241.

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