Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Salicilatos e a Síndrome de Reye

DOL · Dor On Line Edição 109 · 2009 ⭳ Baixar em PDF

A infecção pelo vírus H1N1 (Influenza A) é sem dúvida uma pandemia e sua tendência, infelizmente, é a disseminação. Seus sintomas são febre, tosse, dor de garganta, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios e cansaço. A severidade da doença pode variar de média a grave, podendo causar pneumonia, dificuldades respiratórias e, até mesmo, levar à morte. Os sintomas como febre e dores no corpo podem ser tratados com paracetamol, ibuprofeno, naproxeno, dipirona ou outros anti-inflamatórios não-esteroidais, mediante indicação de um farmacêutico (para medicamentos isentos de prescrição) ou consulta médica. Um fato importante a ser considerado em nosso país é a automedicação, que em determinadas situações pode causar sérios prejuízos à saúde do paciente automedicado. Um exemplo seria o uso de salicilatos (ésteres dos ácidos salicílicos ou os ésteres salicilatos de um ácido orgânico) para tratar sintomas como febre e dores em pacientes infectados com H1N1. O ácido acetilsalisílico, principal membro da classe de fármacos anti-inflamatórios não-esteroidais com propriedades analgésicas e antipiréticas, cujos efeitos poderiam justificar seu uso em pacientes infectados com H1N1, além de suas propriedades anti-inflamatórias, também é utilizado nos distúrbios inflamatórios agudos e crônicos, tais como artrite reumatoide, osteoartrite e espondilite anquilosante. Além disso, o medicamento inibe a agregação plaquetária, bloqueando a síntese do tromboxano A2 nas plaquetas, possuindo várias indicações relativas ao sistema vascular. O uso de salicilatos está contra-indicado nos casos de indivíduos com asma, úlcera, gastrite, insuficiência renal ou hepática e sangramentos. Seu uso para alívio dos sintomas da gripe deve ser evitado em crianças, porque ele pode estar associado com o aumento de risco para o desenvolvimento da Síndrome de Reye. A Síndrome de Reye (SR) é uma doença que afeta principalmente crianças, embora possa ocorrer em qualquer idade, variando principalmente no intervalo entre seis meses e quinze anos. Felizmente é rara, com uma incidência anual que varia de 0,16 a 0,88 para 100.000 crianças, com variações regionais. A doença afeta todos os órgãos do corpo, sendo mais prejudicial ao cérebro e ao fígado, por causar um aumento agudo de pressão dentro do cérebro e, frequentemente, acúmulos volumosos de gordura nos demais órgãos. A SR é definida como uma enfermidade de segunda fase pelo fato de ocorrer após alguma infecção viral, incluindo a Influenza A (H1N1), mas pode ter sua frequência aumentada após exposição a medicamentos contendo salicilatos. A síndrome pode ocorrer durante a recuperação de uma infecção viral ou pode desenvolver-se três a cinco dias após o início da virose. Seus sintomas incluem vômito recorrente ou persistente, letargia, mudanças de personalidade como irritabilidade ou agressividade, desorientação ou confusão, delírio, convulsões e perda da consciência, exigindo assistência médica imediata. Desta forma, os membros da equipe DOL acreditam que esta classe de medicamentos, os salicilatos, não devem ser utilizados por pacientes infectados com a Influenza A (H1N1) ou mesmo a Influenza sazonal e, principalmente por crianças, pois há no mercado outros fármacos disponíveis que podem substituir os salicilatos com ótima eficácia terapêutica, com a grande vantagem de eliminar o risco para o desenvolvimento da Síndrome de Reye. (GRS) Fonte - Adaptado de: http://www.anvisa.gov.br/farmacovigilancia/alerta/federal/2009/federal_1_09.htm

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