
Seria a enzima Prostaglandina E sintase-1 um novo alvo para o tratamento da dor?
A enzima prostaglandina E sintase-1 microssomal (mPGES-1) é a responsável pela síntese de prostaglandina E2 (PGE2) a partir da PGH2 formada pela ação das ciclooxigenases (COX). O uso terapêutico de inibidores da COX é limitado pelos seus efeitos adversos, muito comentados recentemente. Já que a PGE2 é um dos principais mediadores responsáveis pela hiperalgesia inflamatória, a indústria farmacêutica atualmente busca o desenvolvimento de um inibidor seletivo para a enzima mPGES-1. A esperança é que este tipo de droga possa ter um efeito analgésico semelhante ao dos inibidores da COX, porém com menos efeitos adversos. Esse é o assunto de uma recente revisão publicada no periódico Trends in Pharmacological Sciences, na qual os autores questionam a possível eficiência deste tipo de droga, com base nos experimentos realizados até o momento. Enquanto não existem inibidores seletivos para a mPGES-1, os estudos desta enzima têm sido realizados usando camundongos geneticamente modificados que tiveram o gene para a mPGES-1 inativado. O que tem sido observado nestes estudos é que a PGH2 formada pela ativação da COX, não sendo usada pela mPGES-1, acaba sendo metabolizada por outras enzimas do tipo prostaglandina-sintases. Há, portanto, um desvio no destino da PGH2, que passará a servir para a síntese de outros eicosanoides, como tromboxanas e prostaciclinas. A principal questão levantada no artigo é que este redirecionamento da produção de mediadores varia conforme o tecido, ou mesmo conforme a linhagem dos camundongos utilizados. Se o mesmo ocorrer na inibição da mPGES-1 por inibidores seletivos, ficará muito difícil prever os efeitos adversos, já que estes podem variar conforme o indivíduo ou conforme o estado metabólico do tecido. Autores e procedência do estudo: Klaus Scholich and Gerd Geisslinger - Pharmazentrum Frankfurt, ZAFES, Klinikum der Johann Wolfgang Goethe-Universität Frankfurt, Frankfurt, Germany; Referência: Is mPGES-1 a promising target for pain therapy? TRENDS in Pharmacological Sciences (2006) Vol.27 No.8; 399-401.