
Severidade da dor crônica na população idosa na Suécia, impacto nos custos e na qualidade de vida
Segundo a Organização Pan-americana de Saúde, 2003, pg 30: O envelhecer é um processo sequencial, individual, cumulativo, irreversível, universal, não patológico de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio ambiente e, portanto aumente sua possibilidade de morte. O artigo deste alerta aborda um tema que tem tido bastante relevância mundial nos dias atuais, frente ao fato de que há um aumento significativo da população idosa, e consequentemente também a um elevado número de pessoas acometidas por doenças crônicas degenerativas, que possuem dor crônica, pois existem vários estudos mostrando que existe uma correlação direta com o aumento da prevalência de dor severa em pessoas idosas. Os autores tinham como objetivo por meio do respectivo estudo quantificar o custo social da dor crônica em pessoas com 65 anos ou mais e avaliar o impacto desta na qualidade de vida desses indivíduos. A amostra era estratificada, e os participantes possuíam 69 anos ou mais, os sujeitos foram selecionados levando-se em consideração o total da população registrada. Para a realização da pesquisa eles coletaram dados de três registros e enviaram dois questionários a casa dos participantes. Eles avaliaram a intensidade da dor por meio da escala numérica de dor, e estratificando a mesma como leve, moderada e severa, e avaliaram a qualidade de vida por meio do instrumento EQ-5D. Por meio da pesquisa realizada pode-se notar que a dor crônica severa esta associada com um aumento significativo dos gastos em saúde, assim como se evidencia uma baixa qualidade de vida em indivíduos idosos e que possuem esse tipo de dor. Pela leitura do artigo pode-se refletir sobre a importância de se desenvolver uma assistência à Saúde que seja preventiva e que promova Saúde, diminuindo assim as complicações advindas das doenças crônicas. Sabe-se que há um aumento crescente da população idosa no Brasil e portanto deve-se buscar cada vez mais desenvolver estratégias de saúde que prezem pela manutenção da qualidade de vida, considerando o processo de perdas próprias do envelhecimento e as possibilidades de prevenção, manutenção e reabilitação do seu estado de saúde (CIOSAK, et al, 2011). Torna-se cada vez mais evidente a necessidade do desenvolvimento de uma atenção de saúde que garanta a integralidade e equidade aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) (Política Nacional de Atenção Básica-PNAB, 2011). No Brasil uma das estratégias foi o investimento na atenção básica por meio da criação da Política Nacional de Atenção Básica que tem na Saúde da Família sua estratégia prioritária para expansão e consolidação da atenção básica (Política Nacional de Atenção Básica-PNAB, 2011), pois vários estudos comprovam que o atual modelo hospitalocêntrico é um modelo de saúde pública financeiramente insustentável e que há necessidade de investir nas Redes de Atenção a Saúde, pois é evidente a necessidade de se superar a fragmentação do sistema, de nos organizarmos corretamente diante da presença hegemônica das condições crônicas e de definitivamente passarmos a priorizar a qualificação da atenção primária á saúde como base e centro organizador das redes de atenção integral à Saúde (Mendes, 2011). O descompasso existente é notável. Há necessidade de desenvolver uma atenção de Saúde voltada para a prevenção, ou seja, que atue de maneira tal diminuindo os riscos de cronificação das doenças e comorbidades, ampliando assim a resolutividade e impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade (Mendes, 2011); (Política Nacional de Atenção Básica-PNAB, 2011). Referências: Bernfort L, Gerdle B, Rahmqvist M, Husberg M, Levin LÅ. Severity of chronic pain in an elderly population in Sweden--impact on costs and quality of life. Pain. 2015 156(3):521-7; Brasil. Ministério da Saúde. Portaria N. 2488, 21 de outubro de 2011. Aprova a política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde; Ciosak, et al. Senescência e senilidade: novo paradigma na Atenção Básica de Saúde. Revista Esc Enferm USP, V. 45 N.2, 2011; MENDES, Eugênio Vilaça. As Redes de Atenção a Saúde. N 2, 2011; ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD. Guia Clínica para Atención Primaria a las Personas Mayores. 3. ed. Washington, DC, 2003.