
Sim, nós temos os descritores para dor!
Dadas nossas diferenças culturais para expressar a dor, certamente os descritores utilizados para caracterizar e estudar a dor importados de outros países não são totalmente adequados para as nossas necessidades. Até algum tempo atrás, o “Questionário de Dor de McGill” era um dos mais utilizados. Recentemente, uma publicação de Roberta Cardoso e Fátima Ap. E. Faleiros Sousa, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, USP, em uma série de estudos, identificaram e validaram os descritores brasileiros para a dor crônica. No primeiro estudo, trinta e três profissionais de saúde identificaram os descritores mais adequados para a língua portuguesa. Cada profissional recebeu uma lista com 304 descritores de dor e deveriam atribuir um número para cada um dos descritores utilizando uma escala de sete pontos, onde o zero significava que aquele descritor não era um bom descritor para a dor crônica e o sete significava que o descritor descrevia bem a dor crônica. Este estudo obteve por meio de média aritmética e desvio padrão a ordenação de posição dos cem primeiros descritores para a dor crônica. Em um segundo estudo, trinta profissionais de saúde avaliaram os descritores considerando a adequação para cada um deles. Cada profissional recebeu uma lista com os 100 descritores de dor identificados anteriormente e, por meio do método de estimação de magnitude, cada participante atribuiu proporcionalmente ao primeiro descritor um número para cada um dos cem descritores de dor apresentado. Por meio da média geométrica e desvio padrão geométrico obteve em ordem de posição os descritores mais adequados para a dor crônica. Em estudo posterior, as autoras checaram a estabilidade e a equivalência entre as escalas por meio do método de estimação de magnitude e emparelhamento intermodal. Trinta profissionais de saúde receberam uma lista contendo 15 descritores obtidos no segundo estudo. Cada participante, por meio da estimação de magnitude, deveria atribuir um número para cada um dos 15 descritores proporcional ao quanto cada descritor descreve a dor crônica em relação ao primeiro descritor apresentado e, ainda, por meio de emparelhamento intermodal, marcaram um determinado comprimento de linhas para cada um dos 15 descritores, proporcionalmente em relação ao primeiro descritor apresentado. Após esta etapa, vinte participantes receberam uma lista com os cinquenta descritores selecionados no segundo estudo e, por meio do método de estimação de magnitude, identificaram os descritores mais adequados para descrever a dor crônica. Ainda nesse estudo, as autoras calcularam a média geométrica dos diferentes descritores de dor crônica para as amostras de profissionais de saúde e pacientes. O coeficiente de correlação de Pearson foi de r= 0,16 (p < 0,05), o que sugere que a magnitude para os diferentes descritores de dor crônica escolhidos pelos pacientes difere daqueles escolhidos pelos profissionais de saúde, porém os profissionais escolheram descritores considerando a multidimensionalidade da dor, enquanto os pacientes escolheram os descritores na dimensão avaliativa da dor. Os descritores para a dor crônica escolhidos em cada estudo estão apresentados no suplemento do artigo citado. (DFAP) Referência: Identification and validation of Brazilian chronic pain descriptors. Cardoso R, Faleiros Sousa FA. Pain Manag Nurs. 2009 Jun;10(2):85