Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Solução morfina-ketamina, maior facilidade para uso no controle da dor aguda

DOL · Dor On Line Edição 22 · 2001 ⭳ Baixar em PDF

Pesquisas recentes enfocando os mecanismos envolvidos na dor aguda indicam a participação dos receptores N-metil-D-aspartato (NMDA) no desenvolvimento da hiperalgesia pós-operatória e também na tolerância aguda a opioides. Dentro deste contexto, a utilização de antagonistas de receptores NMDA, tal qual a ketamina, tem sido de grande auxílio no tratamento da dor pós-operatória aguda, reduzindo de maneira efetiva a quantidade de opioides necessária para obtenção da analgesia, contribuindo assim também para a diminuição da tolerância. A utilização de uma mistura de ketamina e um opioide administrados em uma mesma solução e seringa poderia ser uma manobra prática e útil para analgesia epidural pós-operatória, ou em infusão iv contínua ou analgesia iv controlada pelo paciente. Sob esta perspectiva, Schmid e cols. (2002), em um estudo realizado em Toronto (Canadá), examinaram a estabilidade de uma solução contendo ketamina e sulfato de morfina diluídas em soro fisiológico (pH 5,5 a 7,5) mantida em temperatura ambiente. Seus resultados mostraram que a mistura morfina – ketamina manteve-se estável em temperatura ambiente, apresentando apenas uma pequena variação do pH, por pelo menos 4 dias. Este estudo demonstra que a utilização de pequenas doses de ketamina como adjuvante na analgesia opioide tradicional pode trazer benefícios clínicos importantes no que se refere ao controle da dor aguda pós-operatória.

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