Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
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Talidomida: novos rumos para uma droga única – antes condenada por causar efeitos teratogênicos em bebês recém-nascidos, agora essa droga é alvo de diversas pesquisas que mostraram seu potencial terapêutico benéfico

DOL · Dor On Line Edição 85 · 2007 ⭳ Baixar em PDF

A talidomida apareceu pela primeira vez na Alemanha, em primeiro de outubro de 1957. Foi comercializada como sedativo com notáveis poucos efeitos colaterais. A indústria farmacêutica que a desenvolveu acreditou que o medicamento era tão seguro que sua prescrição poderia ser feita a mulheres grávidas, para combater enjoos matinais, devido à sua ação sedativa, anti-inflamatória e hipnótica. Porém, no final da década de 50 do século passado, o nascimento de um número extremamente alto de crianças com focomielia levantou suspeitas de intoxicação em massa, embora não tenha sido imediatamente óbvio o motivo causador de tal doença. Após a determinação do potencial da talidomida em causar efeitos neurotóxicos e teratogênicos, associados a um isômero óptico desta substância, os bebês nascidos desta tragédia foram chamados de "bebês da talidomida", ou "geração talidomida". Assim, por um longo tempo, a talidomida foi associada a um dos mais horríveis acidentes médicos da história. Por outro lado, atualmente novos tratamentos com essa droga, explorando suas propriedades imunomoduladoras, para doenças como o cancro e manifestações cutâneas associadas à hanseníase, estão sendo estudados. Mais ainda, seu uso no tratamento de condições crônicas intratáveis, como a síndrome da dor complexa regional e o mieloma múltiplo, também está se tornando comum. Um trabalho recente apresentado no periódico Current Pain and Headache Reports explora as propriedades farmacológicas desta droga, assim como de seus análogos atualmente em testes. Estas propriedades incluem a inibição da angiogênese (o que pode ser útil no tratamento de tumores), a inibição de liberação de citocinas como o Fator de Necrose Tumoral(TNF)-α e a interleucina(IL)-8, subregulação da interleucina(IL)-6, a inibição da enzima ciclooxigenase(COX)-2, o aumento de produção das interleucinas IL-10, IL-4, IL-5 e IL-12, e o aumento da atividade de células T. A ação sobre esses fatores, participantes da gênese da dor inflamatória, tem sido explorada no sentido de procurar melhores fórmulas para combater a inflamação e outras patologias, com menores efeitos colaterais. Referência: Veeraindar Goli. Does Thalidomide Have an Analgesic Effect? Current Status and Future Directions. Current Pain and Headache Reports 2007, 11:109–114.

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