
Terapia contra a dor
Um procedimento baseado em terapia genética, feito pelos cientistas do Departamento de Neurologia da Universidade de Michigan, está tendo bons resultados: dez pacientes que sofrem de dores moderadas causadas por câncer tiveram redução da dor em até 80%. Estão sendo aplicadas nos pacientes injeções sob a pele baseadas em um composto contendo um gene (PENK) responsável pela produção de encefalina, um opioide endógeno, naturalmente fabricado pelo nosso organismo, e que tem efeito analgésico. Os indivíduos que receberam doses baixas relataram que não houve mudança na intensidade da dor. Já nos grupos que receberam dose média ou alta tiveram alívio da dor. Não houve grupo controle neste estudo, mas os efeitos dose-reposta sugerem eficácia, merecendo maior investigação. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, João Batista Garcia, esses resultados trazem esperanças para pessoas com dores mais difíceis de tratar, como as portadoras de dor de origem neurológica, pois o método elimina a administração de analgésicos os quais, quando tomados com frequência, tem efeitos colaterais. Com a terapia gênica, o gene é levado até a origem da dor por um vírus (herpes), que infecta somente as células nervosas, atingindo somente o alvo. Parte do material genético do vírus é retirada, tornando-o não patogênico, e o gene PENK é adicionado em seu lugar, tornando o vírus um veículo transportador sem nenhuma ameaça à saúde, levando à produção de encefalina. Testes feitos em animais mostraram que este método é bastante eficaz nos casos de dor crônica causada por lesão dos nervos e inflamações. No Brasil, uma em cada três pessoas tem dor crônica, a qual é tratada com doses altas de analgésicos, anticonvulsivantes e antidepressivos. Esta nova terapia é esperança de mais qualidade de vida. Evidências pré-clínicas indicam que a transferência de genes para o gânglio da raiz dorsal (DRG) utilizando replicação do vírus (HSV) baseado em vetores pode reduzir a dor. Este teste foi realizado para avaliar a segurança e explorar a eficácia desta abordagem em humanos. Neste ensaio clínico, o mecanismo de ação do vetor não foi diretamente confirmado, mas em estudos com animais o efeito analgésico obtido foi bloqueado por antagonistas dos receptores opioides, naloxona e naltrexona. Fontes: ISTO É | + Notícias http://www.consulfarma.com/detalhes_noticias.php?id=130170 Wolfe D, Wechuck J, Krisky D, Mata M, Fink DJ A clinical trial of gene therapy for chronic pain. Pain Med. 2009 10(7):1325-30.