
Tratamento intratecal com opioides na dor crônica refratária associada à
esclerose mesentérica A esclerose mesentérica (EM) ou paniculite mesentérica é uma doença rara caracterizada por uma fibrose inflamatória crônica mesentérica abdominal. Mais de 250 casos foram relatados e o diagnóstico geralmente ocorre de
esclerose mesentérica
A esclerose mesentérica (EM) ou paniculite mesentérica é uma doença rara caracterizada por uma fibrose inflamatória crônica mesentérica abdominal. Mais de 250 casos foram relatados e o diagnóstico geralmente ocorre de forma acidental. O achado clínico em EM se dá pelo efeito da compressão da massa fibrosa nos vasos mesentéricos e Iúmen gastrointestinal. Embora o conhecimento clínico limitado sobre EM sugira um curso geralmente benigno, estável ou progressivo, existem relatos de casos de fatalidades e outros fenótipos de formas agressivas da doença. Vários casos relatam uma taxa de mortalidade de 20%, sendo 17% dessas mortes secundárias a EM ou em complicações do tratamento.
Com a dor crônica abdominal, sintoma mais comum, é uma suposição razoável que os pacientes possam ser tratados com opioides, terapia que é cada vez mais comum em síndromes de dor crônica sem câncer. Esse tipo de estratégia de
tratamento de dor para doenças que incluem obstrução intestinal e risco de perfuração, pode aumentar o risco de morbidade e mortalidade. Embora a EM seja uma doença rara, recentemente, duas pacientes do sexo feminino foram tratadas em longo prazo com opioides orais para tratamento da dor apresentando complicações no tratamento devido aos efeitos colaterais adversos relacionados com opioides, incluindo: prurido e disfunção gastrointestinal incluindo história de Íleo, constipação e obstrução intestinal. Uma vez iniciado o tratamento da dor com opioides intratecal, as pacientes apresentaram melhoras significativas em relação aos sintomas, efeitos adversos e as funções físicas e emocionais. Assim, os autores defendem que, mesmo que a EM seja uma condição que não envolve câncer, ainda deve ser considerada uma doença crônica potencialmente maligna. Deste modo, o uso de uma terapia que melhora os sintomas da dor e diminua os efeitos colaterais representa uma visão nova e importante no tratamento da dor crônica associada à EM.
Referência: A. Nicol, M. Mckittrick, M. Tollete and S. Manion. Treatment of refractory chronic pain associated with sclerosing mesenteritis with intrathecal opioids. 36th Annual Scientific Meeting of the American Pain Society Pittsburgh, Pennsylvania. May 17-20, 2017.