
Tratamentos para dor na neuropatia diabética baseada em evidências
A dor neuropática diabética é uma das principais complicações da evolução da diabetes mellitus (afeta aproximadamente 16% dos pacientes diabéticos) e parece ser causada pela degeneração progressiva dos axônios das fibras nervosas. A causa dessa degeneração não foi totalmente elucidada, mas provavelmente se deve à formação de radicais livres e posterior estresse oxidativo destas fibras. O tratamento desta patologia, assim como em quaisquer outros tipos de neuropatia, é complexo e, muitas vezes, ineficaz. O tratamento farmacológico desta condição dolorosa pode contar com anticonvulsivantes, antidepressivos, opioides, antiarrítmicos, canabinoides, inibidores da aldose redutase, inibidores da proteína quinase C beta, antioxidantes, ativadores da transquelotase, além de medicamentos tópicos, como a capsaicina. Tratamentos não farmacológicos têm efeitos surpreendentes em uma porção considerável de pacientes e englobam terapia infravermelha, acupuntura, estimulação da medula espinal ou até mesmo descompressão cirúrgica do nervo. Com o intuito de colaborar para a conduta mais adequada no tratamento da dor neuropática diabética, a Academia Americana de Neurologia desenvolveu um guia baseado em evidências clínicas. Este guia foi desenvolvido com embasamento em revisões publicadas entre 1960 e 2008, onde estes estudos foram classificados de acordo com as evidências terapêuticas. Este guia adotou o critério de abandono do tratamento de um determinado medicamento por mais de 20% dos pacientes o suficiente para reduzir a indicação desta droga em um nível. O estudo apontou que a pregabalina é eficaz e pode ser oferecida para o alívio deste tipo de dor. Velafaxina, duloxetina, amitriptilina, valproato, opioides (sulfato de morfina, tramadol e oxicodona de liberação controlada) e capsaicina são provavelmente eficazes e podem ser considerados para o alívio da dor. Outros tratamentos, de acordo com os trabalhos utilizados, possuem poucas evidências ou evidências negativas quanto à eficácia. Tratamentos não farmacológicos eficazes, de acordo com evidências, foram identificados em apenas 11 artigos que contém técnicas de estimulação elétrica, terapia de Reiki, terapia com laser de baixa intensidade e palmilhas magnetizadas. Ressalta-se que é de extrema importância que o tratamento, seja ele farmacológico ou não, deve ser precedido de uma avaliação bastante rigorosa e complexa pelo seu médico para identificação de possíveis causas e agravantes da dor. Referência: Bril V, England J, Franklin GM, Backonja M, Cohen J, Del Toro D, Feldman E, Iverson DJ, Perkins B, Russell JW, Zochodne D. Evidence-based guideline: Treatment of painful diabetic neuropathy: report of the American Academy of Neurology, the American Association of Neuromuscular and Electrodiagnostic Medicine, and the American Academy of Physical Medicine and Rehabilitation. American Academy of Neurology; American Association of Neuromuscular and Electrodiagnostic Medicine; American Academy of Physical Medicine and Rehabilitation. PM R. 2011 Apr;3(4):345-52, 352.e1-1. Fonte: http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?bpid=102&id=29734