
Uso de ketamina como analgésico alternativo para o tratamento de dor crônica
Experimentalmente, a Kketamina tem sido usada para tratar muitas disfunções, desde depressão até enxaquecas. Agora, uma das áreas mais promissoras do tratamento com baixas doses de ketamina é para pessoas que têm síndrome de dor regional co
Experimentalmente, a Kketamina tem sido usada para tratar muitas disfunções, desde depressão até enxaquecas. Agora, uma das áreas mais promissoras do tratamento com baixas doses de ketamina é para pessoas que têm síndrome de dor regional complexa (CRPS) que não responderam a outras formas de tratamento.
CRPS é uma condição de dor crônica que afeta mais frequentemente um dos membros, geralmente após uma lesão ou trauma a esse membro. Acredita-se que o CRPS seja causado por dano ou mau funcionamento dos sistemas nervoso periférico e central. Existem duas formas semelhantes de CRPS, a CRPS-I e CRPS-II, com os mesmos sintomas e tratamentos. A CRPS-II (anteriormente denominado causalgia) é o termo usado para pacientes com lesões nervosas confirmadas. Indivíduos sem lesão nervosa confirmada são classificados como tendo CRPS-I (anteriormente chamado síndrome de distrofia simpática reflexa). A CRPS é descrita pelos pacientes como a pior dor que se pode imaginar, mais de três vezes a intensidade da dor do parto, conforme medido pelo questionário comumente utilizado para mensurar a intensidade da dor (McGill Pain Questionnaire). Um estudo recente descobriu que quase 3/4 das pessoas com CRPS possuem alto risco de cometer suicídio a partir da
intensidade e cronicidade da dor. CRPS é uma condição rara que afeta 26 de cada 100.000 pessoas. Em contraste, a neuropatia crônica (dor que resulta de danos aos nervos periféricos) afeta até 30 milhões de pessoas anualmente nos Estados Unidos da América (EUA). O mercado de medicamentos para a dor crônica somente nos EUA foi estimado em mais de US$ 13 bilhões em 2014 com perspectivas de aumento para os próximos anos. Mais de 240 milhões de prescrições para opioides foram emitidas em 2014, e ainda uma análise de 2015 revelou que existiam poucas evidências sobre a eficácia destes medicamentos quando utilizados por mais de 12 semanas. Além disso, os opioides também apresentam um risco substancial de dependência: mais de um terço dos óbitos por overdose de drogas relatados em 2013 foram resultados do uso descontrolado de opioides.
Estimulados por essas estatisticas, pesquisadores e empresas farmacêuticas renovaram seu interesse em desenvolver uma nova geração de analgésicos que não afetam a via dos opióides. A ketamina foi um desses fármacos que tinha mostrado sucesso precoce no alívio para pacientes com dor crônica. Para CRPS, o fármaco deve ser administrado por infusão intravenosa (i.v), no entanto, o tratamento com ketamina vem acompanhado de diversos efeitos colaterais, incluindo alucinações, agitação e pesadelos. Estes inúmeros efeitos colaterais significam que a ketamina, que foi aprovada pela “Food and Drug Administration” (FDA) como um anestésico, ainda não recebeu aprovação como tratamento para a dor crônica ou qualquer outra condição. Atualmente, os cientistas da academia e da indústria estão tentando desenvolver novas drogas que utilizam os benefícios da ketamina no alivio da dor, evitando suas desvantagens.
Referência: Arnold C. Alternative analgesics: New drugs for pain seek to improve on ketamines benefits. Nat Med. 2017 Jan 6;23(1):8-10. doi: 10.1038/nm0117-8.
Alerta submetido em 12/01/2017 e aceito em 08/02/2017.