
Vitamina D melhora a dor causada por uso de inibidores da aromatase
Uma classe de medicamentos muito utilizados no tratamento do câncer de mama são os inibidores da aromatase, que impedem a conversão do andrógeno em estrógenos nos tecidos periféricos. Porém, esses medicamentos têm efeitos colaterais relevantes. Há relatos de que a dor musculoesquelética ocorre em até 50% das pacientes que utilizam estes medicamentos e esta é a razão mais comum para a interrupção do tratamento. A suplementação tradicional para amenizar tal efeito colateral consiste na ingestão diária de baixas doses de vitamina D2 (400 UI) e cálcio (1000mg). A prevalência de insuficiência ou deficiência de vitamina D em mulheres com câncer de mama implica, mesmo com este tratamento, em nenhuma melhora significativa. Contudo, há relatos na literatura de que altas doses de vitamina D podem melhorar dores crônicas associadas à artrite, fibromialgia, fadigas crônicas, dentre outras. Assim, pesquisadores selecionaram pacientes com câncer de mama, que faziam uso de inibidor de aromatase, e administraram uma dose elevada de vitamina D2 (50.000 UI cápsula) semanalmente. A dor foi avaliada no início e em intervalos de oito semanas, por até seis meses. A suplementação de vitamina D em altas doses diminuiu significativamente a dor musculoesquelética e o desconforto causado pelos inibidores da aromatase, além de poder ter um efeito positivo sobre a saúde óssea. Entretanto, o efeito positivo da suplementação com doses elevadas de vitamina D não foi mantida na avaliação com quatro e seis meses, após as pacientes terem passado a receber uma dose menos frequente (50.000 UI, uma vez por mês). É incerto o modo como a vitamina D é útil para essas pacientes. Além disso, não está clara a patogênese dos sintomas musculoesqueléticos induzidos por inibidores da aromatase e o pôrque elas podem responder à vitamina D. Referência: Rastelli AL, Taylor ME, Gao F, Armamento-Villareal R, Jamalabadi-Majidi S, Napoli N, Ellis MJ. Vitamin D and aromatase inhibitor-induced musculoskeletal symptoms (AIMSS): a phase II, double-blind, placebo-controlled, randomized trial. Breast Cancer Res Treat. 2011 129(1):107-16.