
10 anos de DOL
Durante 10 anos, após centenas de alertas e quase cem editoriais, trouxemos a você leitor os principais acontecimentos da década na pesquisa e desenvolvimento da medicina e demais ciências da saúde no que tange a mais antiga das mazelas do homem, a dor
Durante 10 anos, após centenas de alertas e quase cem editoriais, trouxemos a você leitor os principais acontecimentos da década na pesquisa e desenvolvimento da medicina e demais ciências da saúde no que tange a mais antiga das mazelas do homem, a dor.
Uma década de trabalho on line. Este é o marco comemorativo deste editorial. Desde já, agradecemos a sua companhia e, sobretudo, a possibilidade que você nos proporciona ao receber o nosso boletim de podermos divulgar os avanços e desafios no controle e entendimento da dor.
A nossa seção de alertas sempre procurou divulgar pequenas resenhas de artigos relevantes e atuais, de maneira a fornecer um panorama da pesquisa científica, na forma de nossos alertas de ciência e tecnologia e, também, atingir o público leigo com nossos alertas de divulgação científica, divulgando curiosidades, novas terapias e cuidados no gerenciamento de patologias dolorosas. O formato conciso e direto desta parte de nosso boletim mensal não dá muita margem para expressarmos a opinião dos profissionais envolvidos no desenvolvimento e editoração do DOL, embora o crivo crítico muitas vezes se fez necessário e, vez por outra, uma pequena nota do editor se faça aparecer, muitas vezes fruto dos debates e discussões de nossas reuniões semanais, às vezes calorosas.
O verdadeiro espaço para disseminação das opiniões e pensamento crítico em nosso boletim sempre foi o Editorial, uma preocupação constante da pauta, com a obrigação premente de trazer a vocês leitores os assuntos mais polêmicos e importantes do cenário mundial da ciência, desenvolvimento farmacêutico e terapias no que concerne o estudo e terapêutica da dor. No quadro abaixo, podemos observar a riqueza de assuntos que passaram por nosso boletim ao longo desta primeira década do século XXI.
Em um esforço retrospectivo, verificamos que ao longo da década temos uma grande diversidade de assuntos ligados à dor. Pode-se perceber certa predileção a
divulgação dos diferentes tipos de dor que existem, assim como a discussão de novos alvos e drogas para a terapêutica da dor, visto que ainda estamos longe de uma situação ideal, onde o entendimento das origens fisiopatológicas das condições dolorosas agudas e crônicas seja satisfatório, assim como o repertório de ferramentas farmacológicas seja suficiente para atender ao controle ideal de todos os pacientes acometidos de dores que necessitem intervenções medicamentosas. Dentre estes dois tópicos, podemos citar, por exemplo, os editoriais dedicados ao entendimento da fibromialgia e das dores trigeminais, a neuropatia diabética, a dor do câncer, a dor da AIDS, a dor neonatal e até mesmo a influência do orgasmo na dor de cabeça. Temos, também, os diversos alvos explorados para a intervenção e controle da dor, como o uso da terapia de imunobiológicas, receptores de adenosina, receptores vanilóides, canais iônicos e até mesmo discussões mais polêmicas como o editorial "Homeopatia versus Alopatia: diluindo opiniões".
Temos ainda, e de maneira quase equitativa, editoriais explorando diversos aspectos dos tratamentos da dor, como a acupuntura, a fitoterapia, a fisioterapia e a estimulação elétrica, dentre outras, e diversos aspectos que dizem respeito à atuação da indústria farmacêutica no panorama do tratamento da dor, com polêmicas como a da talidomida e da dipirona, assim como o mau uso da medicina baseada em evidências e a prescrição de medicamentos direcionada por brindes entre outras artimanhas da indústria em busca do lucro. A polêmica dos medicamentos específicos para a inibição da ciclooxigenase-2 também participa deste bloco, mas que devido a sua dimensão mereceu aqui um destaque, com vários editoriais tratando os diversos aspectos deste grave incidente.
Outras polêmicas também apareceram por aqui, como por exemplo, a utilização medicinal da cannabis e dos opióides, assim como a experimentação animal para o desenvolvimento científico e de novos medicamentos para a dor, assim como diversos aspectos dos mecanismos associados a gênese da dor crônica, inflamatória, neurogênica, participação de células gliais, dentre outros.
Temos alguns editoriais sobre a formação de profissionais da saúde, muitas vezes despreparados para lidar com a dor dos pacientes aos seus cuidados e também várias discussões sobre as definições e nomenclaturas da IASP (International Association for the Study of Pain).
Toda esta miríade de opiniões e discussões são, algumas vezes, de autoria de importantes figuras do cenário nacional e mundial, como o Prof. Dr. Sérgio H. Ferreira, o Prof. Dr. Wiliam Alves do Prado, o Dr. Maruán Omais, o Prof. Dr. José Geraldo Speciali, o Prof. Dr. Alexandre Magno da N. Marinho, o Prof. Dr. Marco Antônio Moreira Rodrigues da Silva, a Profa. Dra. )anetti Nogueira de Francischi e o Prof. Dr. João Batista Calixto. Todos eles nos deram a honra de compartilhar seus conhecimentos e opiniões neste esforço de difusão científica que é o projeto DOL.
E que venham mais 10 anos!! Parabéns a todos que se esforçaram e contribuíram com esta iniciativa pioneira de divulgação do conhecimento sobre a dor no mundo digital!
* Professora Adjunta na área de Enfermagem e Farmacologia da Faculdade de Ceilândia - Universidade de Brasília
** Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas, Mestre e Doutor em Ciências, Professor Adjunto de Química na FCE-UNB








