Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

A heterogeneidade da dor crônica na esclerose múltipla

A esclerose múltipla (EM) é a principal causa de incapacidade não traumática em adultos jovens. É uma doença crônica, progressiva e de origem autoimune, que afeta o sistema nervoso central. Nesses indivíduos a dor crônica é um sintoma comum

DOL · Dor On Line Edição 252 · Julho 2021 ⭳ Baixar em PDF

A esclerose múltipla (EM) é a principal causa de incapacidade não traumática em adultos jovens. É uma doença crônica, progressiva e de origem autoimune, que afeta o sistema nervoso central. Nesses indivíduos a dor crônica é um sintoma comum e incapacitante; contudo, os tratamentos atuais não proporcionam o alívio desejável da dor, fenômeno atribuído à sua heterogeneidade e relacionado à esclerose múltipla. Para expandir o conhecimento sobre a dor na EM, estudiosos da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, buscaram caracterizar a distribuição dos fenótipos da dor em pessoas com EM e compará-los quanto a intensidade da dor, prevalência de condições de dor crônica sobreposta, e compararam-se as classes de medicamentos utilizadas pelos pacientes e seus efeitos analgésicos de acordo com seu subtipo de dor. Para tal, acerca dos fenótipos da dor seguiram-se as definições da IASP (do inglês International Association for the Study of Pain, Associação Internacional para o Estudo da Dor) e destacou-se quatro tipos de dor: neuropática, nociceptiva, nociplástica e mista (combinação dentre as categorias anteriores). Os dados foram coletados por meio de um levantamento nacional, que abarcou 49 territórios dos Estados Unidos, baseado no auto relato. A pesquisa on-line incluiu questionário demográfico, questionário painDETECT para determinar dor de origem neuropática, critérios de pesquisa para fibromialgia (American College of Reumatology 2011 Fibromyalgia Survey Criteria) para determinar dor nociplásica, o PROMIS Pain Intensity, uma medida de 3 itens, para avaliar intensidade da dor e, também, itens para avaliar presença de enxaqueca, distúrbios temporomandibulares (TMD) e dor pélvica, que são condições de dor crônica

sobrepostas na EM. É importante frisar que a dor nociceptiva nesse estudo foi contabilizada através da eliminação das outras categorias de dor. Os resultados mostraram que os portadores de EM experimentam mais frequentemente dor característica de mecanismo nociceptivo, sendo esta menos intensa, seguida pela dor do tipo mista neuropática/nociplástica, sendo essa a mais intensa. Além disso, enxaqueca foi a condição de dor crônica mais comum nos portadores de EM, quanto às classes medicamentosas, o uso destas e seus respectivos efeitos analgésicos variaram em consonância com os subtipos de dor relatados. Nessa perspectiva, o estudo é o primeiro a reunir condições crônicas, terapias farmacológicas e intensidades da dor em concomitante levantamento dos fenótipos da dor advinda de EM. Também contou com um grande grupo amostral (total de 842 indivíduos), uso de medidas validadas e baixo nível de perdas de dados. Este estudo destaca a necessidade de avaliar o fenótipo da dor em pessoas com EM para avançar em direção a um modelo mais preciso para tratamento da dor. Referência: Kratz AL, Whibley D, Alschuler KN, Ehde DM, Williams DA, Clauw DJ, Braley TJ. Characterizing chronic pain phenotypes in multiple sclerosis: a nationwide survey study. Pain. 2021 May 1;162(5):1426-1433. doi: 10.1097/j.pain.0000000000002136. PMID: 33196577. Alerta submetido em 13/05/2021 e aceito em 07/07/2021. Escrito por Giulia Moreira Dias e Larissa Santana de Jesus.

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