
Abordagem psicossocial no tratamento de dor crônica associada ao
transtorno por uso de substâncias O transtorno por uso de substâncias muitas vezes é acompanhado de outras condições médicas, que quando não recebem o manejo adequado podem desencadear recaídas, dificultando muito o tratamento. Uma dessas
transtorno por uso de substâncias
O transtorno por uso de substâncias muitas vezes é acompanhado de outras condições médicas, que quando não recebem o manejo adequado podem desencadear recaídas, dificultando muito o tratamento. Uma dessas condições é a
dor crônica, muito presente especialmente em pacientes que se tornam dependentes de opioides. Dentro desta problemática, um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, avaliou a eficácia de uma abordagem terapêutica psicossocial para gerenciamento da dor crônica, chamada de “Melhorando a dor durante o tratamento da adicção” (Improving Pain During Addiction Treatment - ImPAT), em homens e mulheres com transtorno por uso de substâncias (TUS).
O tratamento por ImPAT aconteceu em 8 sessões de 1 hora em grupos de 12 pacientes mais o terapeuta, onde foram ensinadas técnicas para prevenção de recaídas e manejo da dor. O grupo controle foi submetido a oito sessões de um tratamento psicoeducacional de suporte, onde foram abordados tópicos como nutrição e o curso da adicção. Houve uma padronização do nível de contato entre os pacientes e o terapeuta nas duas abordagens. Após 3, 6 e 12 meses do fim do tratamento os 510 participantes foram submetidos a um questionário, que avaliava a frequência com que finalizavam atividades do dia a dia, apesar da dor, e a intensidade de dor nos últimos meses. Além disso, passaram por um teste para avaliação de tolerância a dor, durante o qual deveriam fazer um exercício com as mãos enquanto o fluxo sanguíneo do braço era interrompido e informar quando a dor se tornasse insuportável; além de uma entrevista que avaliava quanto tempo ficaram em abstinência da droga nos últimos meses.
Os dados obtidos pelos pesquisadores sugerem que a ImPAT tem um impacto distinto em homens e mulheres. Nos homens houve um aumento na tolerância a dor em relação ao grupo controle, porém a intensidade da dor não foi alterada. Já nas mulheres houve uma maior redução na intensidade da dor em relação ao controle, enquanto a tolerância se manteve igual. Apesar dessa melhora no quadro de dor crônica, tanto nos homens quanto nas mulheres não houve alteração significativa no tempo em que conseguiram ficar em abstinência da droga; isto difere de um estudo publicado anteriormente, onde veteranos de guerra com dor crônica e TUS que foram submetidos há 10 semanas ImPAT tiveram uma redução do número de dias em que consumiram álcool durante o acompanhamento. Os autores acreditam que isso aconteceu porque o presente estudo baseia-se em um tratamento mais intensivo e os participantes provavelmente tiveram menor apoio à sobriedade e maior envolvimento da justiça criminal do que no estudo anterior. Apesar da falta de resultados em relação à dependência, a abordagem estudada parece promissora para pelo menos o manejo da dor em pacientes com transtorno por uso de substâncias. Sendo assim, são necessários novos estudos com maior incentivo à sobriedade para melhor avaliação de sua utilização para tratamento dessa comorbidade.
Referências:
* Ilgen MA, Coughlin LN, Bohnert ASB, et al. Efficacy of a Psychosocial Pain Management Intervention for Men and Women With Substance Use Disorders and Chronic Pain: A Randomized Clinical Trial [published online ahead of print, 2020 Jul 29]. — JAMA Psychiatry.
2020;10.1001/jamapsychiatry.2020.2369. doi: 10.1001/jamapsychiatry. 2020.2369 * llgen MA, Bohnert AS, Chermack 5, et al. A randomized trial of a pain management intervention for adults receiving substance use disorder treatment. Addiction. 2016; 111(8):1385-1393. doi: 10.1111/add.13349 Alerta submetido em 09/10/2020 e aceito em 23/10/2020. Escrito por Arthur Alves Coelho.