
Exercício físico na dor crônica oncológica e seus desafios
Segundo a International Association for the Study of Pain (IASP), a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a danos teciduais reais ou potenciais, ou descrita em termos de tais danos. De modo comum,
Exercício físico na dor crônica oncológica e seus desafios Robson Felipe de Queiroz, Vanessa Félix R.Figueiredo e Marisete Peralta Safons *
Segundo a International Association for the Study of Pain (LASP), a dor “é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a danos teciduais reais ou potenciais, ou descrita em termos de tais danos”. De modo comum, quando a dor persiste por períodos maiores que três meses, considera-se como dor crônica, sendo esta mais subjetiva que a dor aguda, muito em decorrência de ser uma experiência sensorial e emocional complexa, influenciável pelo contexto e significado da dor, assim como pelo estado psicológico da pessoa.
A dor crônica causada pelo câncer, também chamada de dor oncológica afeta cerca de 30% dos sobreviventes de câncer, 59% dos pacientes em tratamento e até 70% em quadros de doença avançada ou terminal. A dor oncológica é o mais temido dos sintomas e o se não tratada de forma adequada apresenta efeitos devastadores, piorando a qualidade de vida, reduzindo a funcionalidade e causando um grande desgaste emocional no paciente e em seus familiares.
Muitas vezes, os familiares imaginam que repouso absoluto é uma maneira de proteger e cuidar dos pacientes, e isso os leva a envolver a pessoa em uma bolha, privando-os de atividades e também do exercício físico (EF), o que é errado e prejudicial. O EF é visto hoje como um importante tratamento no combate aos sintomas do câncer e na sobrevida, assim como potencial redutor do risco de recorrência do câncer. O exercício físico regular atenua a dor por ativação das vias inibitórias no sistema nervoso central, dentre os mecanismos pode-se citar o sistema opioide endógeno e as vias serotoninérgicas.
A organização da Clinical Oncology Society of Australia (COSA), publicou seu posicionamento a respeito do EF no tratamento do câncer e recomendação para não inatividade. Os profissionais devem prescrever rotinas de exercícios com pelo menos 150 minutos de exercícios aeróbicos em uma intensidade moderada ou 75 minutos com intensidade vigorosa semanalmente, além de duas ou três vezes na semana a prática de exercícios resistidos. A COSA recomenda várias modalidades de exercícios, como a caminhada, natação, ciclismo, corrida dentre outros. Nesse sentido, estudos recentes publicados mostram benefícios de protocolos de tratamento com EF na melhora do quadro de dor crônica, bem como na qualidade de vida e capacidade funcional.
Em um estudo com pacientes portadores de câncer de mama foi mostrado que exercícios combinados (aeróbio, força e flexibilidade) realizados por doze semanas reduziram a dor e aumentaram o consumo máximo de oxigênio dos sujeitos. Outro estudo observou que sessões de fisioterapia com ênfase na cinesioterapia (exercícios ativos de membros) são capazes de reduzir a dor oncológica. Algo que chama a atenção é que pessoas que realizam o exercício físico de forma supervisionada demonstram ter menor declínio na aptidão cardiorrespiratória, melhor funcionamento físico, menos náuseas e vômitos.
Diante disso, enfatiza-se que a prescrição do EF nesses indivíduos deve ser feita por profissionais qualificados a fim de se evitar danos e efeitos indesejados, como também ser acompanhado por equipe multidisciplinar. O EF precisa ser adaptado às habilidades do indivíduo, levando em consideração indicadores laboratoriais para prescrição de exercícios intra e extra-hospitalar. Portanto, estados de plaquetopenia e diminuição de hemoglobina indicarão a intensidade que o EF será realizado, bem como a restrição absoluta, como em casos de alterações laboratoriais significativas.
Além disso, é essencial considerar as preferências e aceitações das pessoas acarretando em melhor adesão ao EF. É de suma importância que os pacientes e sobreviventes de câncer sejam estimulados a aderirem ao EF, visto que, a tendência é que reduzam o tempo dedicado a isto após o diagnóstico e tratamento. Não obstante, em estudo recente com pacientes em remissão e em tratamento de câncer, 85% dos participantes relataram ter recebido menos informações sobre EF do que gostariam.
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* Editorial produzido no âmbito da disciplina "Seminários Avançados em Pesquisa em Ciências e Tecnologias em Saúde”, do Programa de Pós-graduação em Ciências e Tecnologias em Saúde da Faculdade de Ceilândia, UnB.
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