
Alta atividade espontânea de nociceptores-C em polineuropatia dolorosa
Considerando que a dor espontânea contínua é um dos sintomas mais comuns na dor neuropática periférica e tendo a hipótese de que a dor é causada pela atividade espontânea em nociceptores aferentes primários, um estudo europeu avaliou atividade espontânea em nociceptores C de pacientes com polineuropatia com e sem dor espontânea. Utilizando microneurografia, potenciais de ação de fibras C foram registrados, de modo que em pacientes com dor observou-se maior porcentagem de nociceptores C mecanoinsensíveis com atividade espontânea, além de que tais nociceptores apresentaram maior sensibilização por estimulação mecânica e também taxa média de recuperação mais rápida, o que, segundo os autores poderia indicar hiperexcitabilidade axonal, possibilitando que potenciais de ação sejam gerados com maior frequência. Kleggertveit et al. mencionam que nociceptores mecanoinsensíveis podem contribuir para dor clínica, hiperalgesia mecânica primária e secundária e ainda para indução de sensibilização central. Jordi Serra, na mesma edição, comenta que a hiperexcitabilidade em nociceptores C pode ser reconhecida como um possível biomarcador de dor espontânea em avaliações por microneurografia. Serra apresenta que a maioria dos estudos sobre dor neuropática utilizam modelos animais experimentais de dor evocada que avaliam alodinia e hiperalgesia, mas não atividade espontânea. Sendo assim, sugere-se lançar mão de outras ferramentas, entre elas, a microneurografia que permite acesso a fibras C, podendo ser útil para monitorar tais fibras em quadros associados à dor espontânea e ainda em testes farmacológicos de compostos que atuam na hiperexcitabilidade. No estudo de Kleggertveit et al. a dor foi descrita pela maioria dos pacientes como ardente ou profunda o que, de acordo com estudos prévios e segundo Serra, pode evidenciar o efeito da atividade espontânea em nociceptores periféricos. O autor do comentário aponta ainda o uso de anticorpos anti-NGF no tratamento de dor neuropática espontânea, justificado por motivo de os nociceptores C mecanoinsensíveis provavelmente corresponderem a nociceptores C dependentes de NGF (Fator de Crescimento Neural). Referências: Kleggetveit IP, Namer B, Schmidt R, Helås T, Ruckel M, Ørstavik K, Schmelz M, Jørum E. High spontaneous activity of C-nociceptors in painful polyneuropathy. Pain. 2012 153(10):2040-7; Serra J. Microneurography: towards a biomarker of spontaneous pain. Pain. 2012 153(10):1989-90.