
Ativação da glia em estrutura supraespinal é essencial para o início da dor neuropática
Até recentemente, as células da glia eram consideradas apenas células de sustentação dos neurônios. Atualmente, inúmeros trabalhos relatando o papel destas células na modulação da função neuronal tanto em condições fisiológicas quanto patológicas tem ajudado a superar este conceito. Dados da literatura demonstram que as células da glia encontradas no sistema nervoso central, principalmente em nível espinal, quando ativadas, promovem liberação de mediadores inflamatórios, o que sugere sua participação relevante na facilitação da dor induzida por inflamação, dano tecidual ou injúria neuronal. Trabalho recente publicado no periódico The Journal of Neuroscience demonstrou que, além da ativação em nível espinal, a ativação das células da glia na medula rostral-ventromedial (RVM) desempenha papel crucial no desenvolvimento da dor neuropática após lesão de nervos periféricos. Os autores do estudo observaram que a injeção intra-RVM de inibidores seletivos da função glial inibem os comportamentos nociceptivos. A participação das células da glia presentes no RVM parece depender da produção local de citocinas como a interleucina (IL)-1β e o Fator de Necrose Tumoral (TNF)-α, que seriam, então, responsáveis pelo aumento da transmissão glutamatérgica e ativação de vias descendentes facilitatórias de dor. Estes achados corroboram a ideia de que drogas que inibe a ativação da glia são promissoras no tratamento das dores de origem neuropática. Autores e procedência do estudo: Feng Wei, Wei Guo, Shiping Zou, Ke Ren, and Ronald Dubner - Department of Neural and Pain Sciences, Dental School, Program in Neuroscience, University of Maryland, Baltimore, Maryland 21201; Referência: Supraspinal glial-neuronal interactions contribute to descending pain facilitation. J Neurosci. 2008 Oct 15;28(42):10482-95.