Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Ativação da glia espinal induzida por opióides ocorre via receptores opióides não-clássicos: implicações clínicas e a procura pelo alvo

DOL · Dor On Line Edição 90 · Janeiro 2007 ⭳ Baixar em PDF

A liberação de citocinas proinflamatórias na glia espinal tem sido relacionada à perda da eficácia do tratamento analgésico com morfina, além de contribuir para a tolerância e consequente abandono do tratamento. Em contraste com as células neuronais, que se ligam apenas a (-)-opioides, a indução de citocinas proinflamatórias nas células da glia por opioides não é estéreo-seletiva, ou seja, esse mecanismo de aumento de citocinas na glia espinal é incomum e distinto do mecanismo farmacológico opioide neuronal. Interessantemente, as drogas antagonistas opioides também parecem perder sua estéreoseletividade. Em palestra apresentada pelo Professor Hutchinson foi mostrado o trabalho realizado por um grupo de pesquisadores de diversos centros de pesquisa que demonstra que o isômero inativo do naloxone (um antagonista opioide não-seletivo) e o atenuador da ativação glial AV411 potenciam a analgesia induzida pela morfina, além de reduzir a tolerância, o comportamento induzido pela retirada e os efeitos-rebote. Esse conjunto de efeitos sugere que a supressão da ativação glial em diferentes níveis pode melhorar o controle clínico da dor e aumentar a segurança do uso de opioides. Mais ainda, o Prof. Hutchinson comentou que a ação do (+)-naloxone ocorre por antagonismo da ativação glial induzida por opioides, bloqueando assim o aumento de citocinas proinflamatórias espinais. Também foi comentada a presença de receptores opioides incomuns nas células gliais, os quais podem fazer parte dos efeitos descritos acima. Título da palestra: Opioid-induced glial activation via a non-classical opioid receptor: clinical implications & the search for the target - Palestra 9.4 Palestrante: M. R. Hutchinson1,2, B. D. Coats1, Y. Zhang1, S. S. Lewis1, D. B. Sprunger1, E. M. Baker1, S. F. Maier1, K. C. Rice3, K. W. Johnson4, L. R. Watkins1 - 1Department of Psychology 6- the Center for Neuroscience, University of Colorado at Boulder, Boulder, Colorado, USA 2 Discipline of Pharmacology, School of Medical Sciences, University of Adelaide, Adelaide, South Australia, Australia; 3Chemical Biology Research Branch, NIDA, Bethesda, Maryland, USA; 4Avigen, Alameda, California, USA.

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