
Considerando o aumento em potencial da dor crônica após a pandemia
de COVID-19 A difusão da COVID-19 pelo mundo trouxe não só a doença em si mas também estressores psicossociais como problemas financeiros, incerteza sobre o futuro, medo da doença e a perda de contato social devido ao isolamento. Aliado a e
de COVID-19 A difusão da COVID-19 pelo mundo trouxe não só a doença em si mas também estressores psicossociais como problemas financeiros, incerteza sobre o futuro, medo da doença e a perda de contato social devido ao isolamento. Aliado a este quadro, pode-se acrescentar o estresse advindo da publicação de notícias
conflitantes pela mídia. Neste contexto, o presente estudo objetivou analisar as potenciais consequências da COVID-19 atrelada à dor crônica. A primeira sequela em potencial seria a dor crônica advinda de uma infecção viral aguda. Um estudo realizado com profissionais de saúde demonstrou que pessoas que contraíram a SARS (síndrome respiratória aguda grave) causada por outro tipo de coronavírus, desenvolveram mialgia, depressão e problemas no sono por aproximadamente 2 anos. Os achados implicam que várias doenças virais são capazes de gerar dor crônica local ou generalizada. Outra conseqüência importante seria a dor crônica atrelada a infecção que causa a COVID-19, já que a saúde mental também é afetada como mostra um estudo realizado com pacientes e profissionais da saúde infectados por SARS que desenvolveram transtorno de estresse pós-traumático. Vale lembrar que isto gera um ciclo vicioso, já que os problemas psicológicos acarretam em diminuição da resposta imune que por sua vez pode dificultar a recuperação do paciente. Há ainda os pacientes que podem desenvolver exacerbação da dor crônica sem ter uma infecção de fato, já que estudos demonstram que a angústia psicológica, atividade física reduzida e problemas no sono são capazes de levar ao desenvolvimento de dor crônica geral ou local. É possível observar que o impacto da pandemia de COVID-19 afetará infectados e não infectados, devido aos estressores físicos, psicológicos e sociais. Para lidar com estes novos problemas deve-se levar em conta não apenas o aspecto físico, mas também o quadro psicológico do paciente. Além disso, também faz-se necessária a melhor adaptação de pacientes e profissionais da saúde aos recursos da telemedicina e telessaúde. Outras sugestões também incluem a formação de registros que englobem pacientes infectados, incluindo os que já sofrem de dor crônica para melhor acompanhamento e aplicação de telessaúde. Assim, o reconhecimento de novos portadores da dor crônica ou exacerbações de dores pré-existentes e a aplicação de tratamento direcionado e imediato são medidas em potencial para lidar com a nova realidade de tratamento em dor pós- pandemia. Referência: Considering the potential for an increase in chronic pain after the COVID-19 pandemic . Daniel J Clauw , Winfried Häuser , Steven P Cohen , Mary- Ann Fitzcharles . Pain. 2020 Aug; 161 (8): 1694-1697. Alerta submetido em 07/12/2020 e aceito em 07/12/2020. Escrito por Giovanna França Alves.