
Determinantes físicos, de estilo de vida, psicológicos e sociais da dor em idosos depressivos
A dor e a depressão em idosos apresentam altas taxas de prevalência e aparentemente têm um comportamento recíproco. Para clínica é de suma importância o conhecimento sobre a dor e seus determinantes na depressão, já que estes influenciam tanto no curso e tratamento da doença, quanto no estilo de vida do paciente. Dessa forma, este estudo objetivou principalmente verificar até que ponto estão associados alguns fatores biopsicossociais com a intensidade, limitações e número de locais da dor, analisando separadamente dor aguda e crônica em idosos. O trabalho utilizou como parâmetro os dados do estudo holandês de depressão em pessoas idosas, que teve como amostra 184 participantes com idade igual ou superior a 60 anos diagnosticadas com depressão e um grupo controle constituído por 88 indivíduos na mesma faixa etária sem sintomas ou diagnostico do distúrbio. Para os dois grupos foi ofertado questionários de auto-relato para avaliar as características da dor determinando se era crônica ou aguda, e estimar as características físicas, psicológicas, sociais, demográficas e estilo de vida por meio de vários fatores. Percebeu-se que o grupo com depressão tinha maior intensidade, limitações e número de locais da dor comparado com o grupo controle. Já entre os determinantes estudados, os demográficos, psicológicos e sociais demonstraram-se estatisticamente associados com a intensidade da dor aguda. Somente a ansiedade, determinante psicológico, foi associada com a incapacitação e o número de locais da dor. Com relação à dor crônica, os resultados apontaram para fatores psicológicos, principalmente a ansiedade, com maior associação nos três casos. Em analises posteriores observou-se que as doenças crônicas e a ansiedade estão fortemente associadas com a intensidade, limitações e número de locais da dor crônica nos participantes com mais de 70 anos. Assim, pode-se constatar a partir do estudo a importância de perceber o indivíduo, seu meio, seu corpo e seu psicológico como um todo, que pode modificar o curso da dor crônica, ou seja, a necessidade em praticar o modelo biopsicossocial introduzido por Engel, uma abordagem multidisciplinar da doença ou dor. Referência: Hanssen, D; Naarding, P; Collard, R; Comijs H; Voshaar, R. Physical, lifestyle, psychological, and social determinants of pain intensity, pain disability, and the number of pain locations in depressed older adults. PAIN. 2014, 155: 2088-2096.