Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

Diferenças etárias impactam nos processos cognitivo-afetivos da dor

crônica A dor crônica está associada a prejuízos físicos e psicológicos importantes ao longo da vida adulta. No entanto, há escassez de estudos sobre a variabilidade relacionada à idade nos processos cognitivo-afetivos da dor. Tem sido obse

DOL · Dor On Line Edição 253 · Agosto 2021 ⭳ Baixar em PDF

crônica A dor crônica está associada a prejuízos físicos e psicológicos importantes ao longo da vida adulta. No entanto, há escassez de estudos sobre a variabilidade relacionada à idade nos processos cognitivo-afetivos da dor. Tem sido observado que o avanço da idade traz outros fatores biológicos e psicossociais mais determinantes da incapacidade física e depressão, do que aspectos cognitivo- afetivos da dor. Os processos cognitivo-afetivos focados em risco e resiliência – incluindo a catastrofização da dor, a aceitação e a autoeficácia – têm relevante papel na dor crônica. Neste sentido, um estudo em Liverpool, Reino Unido, investigou as diferenças de idade nos processos cognitivo-afetivos relacionados à dor, incluindo suas associações diferenciais com a incapacidade e depressão. Foram recrutados 2.905 adultos, de 18 a 75 anos, com dor crônica, assistidos por um centro de dor. Os participantes foram estratificados nas seguintes faixas etárias: idade adulta jovem (grupo 1: entre 18 e 39 anos; n = 854), idade adulta média (grupo 2: entre 40 e 64 anos; n = 1.848) e idade adulta mais velha (grupo 3: entre 65 e 75 anos; n = 250). Todos os participantes responderam uma versão modificada do Roland- Morris Disability Questionnaire, questionário que mede a incapacidade associada à dor crônica; o Inventário de Depressão beck-II, que cobre as principais características e sintomas da depressão; a Escala de Catastrofização da Dor, na qual escores mais elevados indicam maior tendência a ampliar a ameaça e a significância da dor; o Questionário de Autoeficácia da Dor, que avalia as crenças do indivíduo sobre sua capacidade de empreender e se envolver em atividades diárias, apesar da dor; e o questionário de Aceitação da Dor Crônica, destinado a medir a aceitação no contexto da dor crônica. As análises dos resultados revelaram que aspectos cognitivo-afetivos da dor, como catastrofização, aceitação e autoeficácia, tem maior impacto para os mais jovens. A relação entre a catastrofização da dor e a depressão foi mais forte para adultos jovens e de meia-idade em comparação com os idosos. Além disso, as relações entre aceitação da dor e autoeficácia com depressão, bem como entre autoeficácia

e incapacidade, foram mais fortes nos adultos jovens e mais fracos nos idosos com dor crônica. Esses resultados se encaixam com outras pesquisas sobre envelhecimento e saúde emocional. Há evidências consistentes que indicam que os idosos demonstram considerável resiliência psicológica, de tal forma que a regulação emocional e a gestão do humor melhoram com o avanço da idade. No contexto da dor crônica, os idosos podem perceber sintomas dolorosos como parte natural e inevitável do envelhecimento, experimentando maior aceitação e menos emoções negativas relacionadas à dor. Esse estudo indica que, embora o processo de envelhecimento ocasione experiências dolorosas mais frequentes, o maior equilíbrio emocional garante, por outro lado, uma melhor forma de lidar com a dor. Referência: Murray CB, Patel KV, Twiddy H, Sturgeon JA, Palermo TM. Age differences in cognitive-affective processes in adults with chronic pain. Eur J Pain. 2021 May;25(5):1041-1052. doi: 10.1002/ejp.1725. Epub 2021 Jan 24. PMID: 33405280; PMCID: PMC8055045 Alerta submetido em 22/06/2021 e aceito em 04/08/2021. Escrito por Larissa Santana de Jesus.

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