Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Dor crônica e o cérebro

DOL · Dor On Line Edição 130 · Maio 2010 ⭳ Baixar em PDF

Conviver com a dor diariamente é uma tarefa árdua mas real para cerca de 30% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa é a quantidade estimada de indivíduos que sofrem de desconfortos intensos, constantes e incuráveis em diversas partes do corpo, como fibromialgia, artrites e neuropatias. Embora seja possível controlar a dor crônica por meio de medicamentos e outras terapias, não existe cura para o mal, pelo simples fato de que nem mesmo os médicos conseguem explicar a origem do problema. Cada vez mais, porém, os cientistas se aproximam dos mecanismos cerebrais escondidos por trás da dor crônica, o que, potencialmente, poderá colocar fim ao sofrimento diário de 2,6 bilhões de pessoas. Acredita-se que com o entendimento dos mecanismos que dão origem à dor crônica será possível chegar à cura, daí a importância dos estudos conduzidos por Vania Apkarian, pesquisadora e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Feinberg, em Chicago, e que há duas décadas estuda o assunto. Utilizando recursos de ressonância magnética (RM), Apkarian comparou os cérebros de pacientes com dores crônicas ao de indivíduos sadios, em repouso e durante atividades que exigem atenção. Todos os voluntários do primeiro grupo sofriam de dores incessantes há mais de um ano, principalmente na região lombossacral, incluindo nádegas e coxas. Embora os estudos tenham apontado que não há diferença de eficácia entre as tarefas desempenhadas por pessoas de ambos os grupos, as imagens dos cérebros revelam funções cerebrais bastante distintas. Pacientes que sofriam dores crônicas apresentaram alterações significativas em diversas regiões do cérebro que não estão ligadas à dor, ou seja, há impacto na função cerebral como um todo. Os cientistas acreditam que essas alterações fazem parte de um processo de reorganização anatômica que o cérebro utiliza como estratégia para que o paciente possa conviver com uma dor constante. Assim, ocorre uma perda de densidade do cérebro que está relacionada diretamente com a duração da dor, mais especificamente, 1,3 centímetros cúbicos de massa cinzenta, a parte do cérebro que processa as informações e memórias, são perdidos a cada ano pelos pacientes que sofrem de dor crônica. Ressalta-se que, ao longo do tempo, essas alterações podem resultar na atrofia cerebral e causar deficiências cognitivas. É possível que a diminuição da massa cinzenta seja provocada pela retração do tecido cerebral, sem perda significativa de neurônios. A atrofia também pode ser atribuída a processos irreversíveis, como a neurodegeneração. Outra pesquisa da equipe constatou que os neurônios da medula espinal sofrem apoptose em ratos com dor neuropática, o que explicaria a diminuição do tamanho do cérebro. Referência e fonte: Apkarian AV, Hashmi JA, Baliki MN. Pain and the brain: Specificity and plasticity of the brain in clinical chronic pain. Pain 152 2011 S49-S64. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2011/04/24/interna_ciencia_saude,249289/dor-cronica-provoca-mudancas-cerebrais-revela-pesquisador-norte-americano.shtml

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