
Dor persistente em pacientes pós-mastectomia
Nos Estados Unidos câncer de mama é o incidente entre as mulheres com mais de 200.000 diagnósticos por ano e, dessas 41% recorrem à mastectomia. Dor persistente é relatada entre 25-60% dos casos, e é considerado como o sintoma que mais incomoda. A etiologia da dor persistente ainda é desconhecida, provavelmente é de causa multifatorial e parcialmente de natureza neuropática. Neste estudo dois grupos de pacientes com dor (n= 100) e sem dor (n= 100), foram escolhidos aleatoriamente de uma população de 611 pacientes que tinham feitos mastectomia a mais de seis meses, foram investigadas e caracterizadas diferenças demográficas, médicas, psicossociais, cirúrgicas e sensoriais. Dos que relataram dor, 78,4% relatou dor no peito e 53,9% relatou dor na axila, também foi relatado dor nos braços (21,5%) e na lateral do corpo (14,7%). Não houve diferenças nas variáveis sociais, cirúrgicas, no tumor e na terapia. Em pacientes com dor foi visto maior ansiedade, depressão, distúrbios do sono e maiores tendências de catastrofizar a dor, porém ainda é incerto se estes aparecem após a dor ou a dor aparece após estes. Nos testes sensoriais quantitativos, o grupo com dor teve maior sensibilidade ao estímulo mecânico e nos testes de limiar de pressão estes obtiveram um menor limiar, estes dados podem representar uma sensibilidade central dos pacientes com dor. Nos outros testes sensoriais não houve diferenças significativas entre os dois grupos. Concluindo, diferenças demográficas, cirúrgicas e variáveis no tratamento foram menos associadas com dor persistente pós-mastectomia do que fatores psicossociais e psicofísicos como catastrofismo da dor e sensibilidade a estimulo mecânico. Referência: Schreiber KL, Martel MO, Shnol H, Shaffer JR, Greco C, Viray N, Taylor LN, McLaughlin M, Brufsky A, Ahrendt G, Bovbjerg D, Edwards RR, Belfer I. Persistent pain in postmastectomy patients: comparison of psychophysical, medical, surgical, and psychosocial characteristics between patients with and without pain. Pain. 2013 154(5):660-8.