Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Eficácia da melatonina no tratamento da endometriose

DOL · Dor On Line Edição 158 · Setembro 2013 ⭳ Baixar em PDF

A dor crônica pélvica associada à endometriose se apresenta com uma intensa reação inflamatória, associada a uma compressão ou infiltração de nervos próximos as lesões causadas pela própria patologia. Diante da emergência da melatonina como um importante agente analgésico, antioxidante e anti-inflamatório, foi conduzido um estudo com o objetivo de avaliar os efeitos da melatonina comparados com os do placebo sobre a dor pélvica associada à endometriose, níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e qualidade do sono de 40 mulheres com idade entre 18 e 45 anos. Todas as pacientes foram submetidas a confirmação do diagnóstico de endometriose por cirurgia laparoscópica, além da determinação do estágio da doença (1 a 4). Foi realizado o levantamento do histórico médico de cada paciente a fim de verificar a compatibilidade dos dados com os critérios de inclusão e/ou exclusão. Foram divididos dois grupos (melatonina x placebo), os quais tiveram a adesão à medicação verificada, o uso de analgésicos continuado durante o decorrer do estudo, sendo que essa utilização foi registrada pelos próprios pacientes nos diários fornecidos pelo grupo de pesquisa. Ao fim das 8 semanas de estudo, os resultados primários avaliados foram a escala de dor (avaliada através da escala visual analógica), dismenorreia ou dispareunia, quantidade utilizada de analgésicos e nível de BDNF. Como resultados secundários, foram avaliados parâmetros como disúria, disquezia e qualidade do sono (avaliada pela escala visual analógica da qualidade de sono). O grupo tratado com melatonina apresentou melhores níveis em todos os parâmetros avaliados: redução da média de dor (39,30%), redução na utilização de analgésicos (≈ 50%) e BDNF (≈ 20%, redução independente dos níveis de dor), melhora na qualidade de sono (42%). Diante dos resultados apresentados, é possível observar o efeito da melatonina dado tanto através de sua atuação direta nas vias da dor quanto nos sinalizadores químicos que modulam a dor. Por se tratar de um estudo clínico, é importante ressaltar as condições de realização do estudo, principalmente no que diz respeito à preocupação dos pesquisadores em caracterizar de forma extensa a amostra, bem como a proposição de avaliações variadas tanto da dor global, quanto de variações da dor específicas associadas a endometriose (dismenorreia, disúria e disquezia), além de exames laboratoriais para o doseamento de mediadores envolvidos com esses tipos de dor. Dessa forma, a melatonina, de acordo com os resultados apresentados no estudo em questão, se apresenta como um tratamento efetivo e bem tolerado para o tratamento dos sintomas dolorosos da endometriose. Referência: Schwertner A, Conceição Dos Santos CC, Costa GD, Deitos A, de Souza A, de Souza IC, Torres IL, da Cunha Filho JS, Caumo W. Efficacy of melatonin in the treatment of endometriosis: a phase II, randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Pain. 2013 154(6):874-81.

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