
Esclerose múltipla: pacientes que sofrem de dor neuropática apresentam piores sintomas
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica, autoimune, na qual o sistema imunológico começa a agredir a bainha de mielina que recobre os neurônios e isso compromete a função do sistema nervoso. Muitas pessoas com esclerose múltipla podem ativamente tomar medidas para controlar a sua doença e viver tão bem quanto possível. No entanto, ainda estão suscetíveis a outras condições médicas que podem piorar a doença ou limitar suas atividades de vida diária. Nesse sentido, uma pesquisa conduzida na Itália pela pesquisadora Andrea Truini e publicada na revista Pain, demonstrou que pacientes que sofrem de dor neuropática apresentam piores sintomas de esclerose múltipla do que aqueles sem dor. Através da avaliação de potenciais evocados por estímulos sensoriais mediados por fibras nervosas não-nociceptivas e potenciais evocados por estimulação com laser, mediados por fibras nociceptivas, 302 pacientes foram avaliados e 92 (30%) apresentavam dor e 42 (14%) apresentavam dor neuropática. Enquanto pacientes com dor neuropática apresentavam piores resultados com potenciais evocados por laser do que evocados por estímulos sensoriais, o oposto foi encontrado em pacientes com o fenômeno de Lhermitte, caracterizado por formigamento no pescoço e membros quando se dobra a cabeça para frente, um sinal de desmielinização do corno posterior da medula cervical. Estes resultados podem ser úteis na elaboração de uma nova abordagem terapêutica para dor neuropática relacionada à esclerose múltipla. Referência: Truini A, Galeotti F, La Cesa S, Di Rezze S, Biasiotta A, Di Stefano G, Tinelli E, Millefiorini E, Gatti A, Cruccu G. Mechanisms of pain in multiple sclerosis: A combined clinical and neurophysiological study. Pain. 2012; 153(10):2048-54.