
Estimulação Transcraniana por Corrente Direta (ETCC) e dor
Atualmente tem-se falado muito a respeito de Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC), porém existem dúvidas se realmente o método funciona para o tratamento da dor crônica. Algumas pessoas que conduzem pesquisas clínicas afirmam que o método funciona, mas fazendo um olhar mais crítico para evidências, o que possuímos é decepcionante. O nível de evidencia é baixo e consistem de estudos com amostras pequenas e com um alto risco de viés, devido a uma série de falhas metodológicas. Revisões sistemáticas e meta-análises recentes concluíram que existe um baixo nível de evidência de que ETCC possa ter efeito sobre a dor, ou mesmo alguma eficácia. Então, o que realmente está acontecendo? Recentemente foi realizado um estudo para observar o cérebro por meio de fMRI, enquanto ele processa a dor térmica. Isso foi feito antes e depois aplicar ETCC anodal, catodal ou sham (em ordem aleatória). A ideia era avaliar se a ETCC catódica ou anódica modifica o processamento de dor quando comparado a estimulação sham, e saber se áreas específicas do cérebro foram afetados pela intervenção com ETCC. Os resultados não foram muito convincentes: nem ETCC anodal nem a ETCC catodal mostraram efeito significativo no processamento cerebral da dor quando comparado com a estimulação sham. Só quando testada diretamente, a estimulação anodal contra a estimulação catódica, podemos ver os resultados estatisticamente significativos. A interpretação cuidadosa desses dados mostra que se a ETCC tem algum efeito no cérebro no processamento da dor, é bastante pequena. Em concordância com esses pequenos efeitos, a intensidade da dor percebida pelos participantes não mudou muito após estimulação anodal ou catodal. No entanto, este pequeno efeito ocorreu no sentido previsível: estimulação anódica comparada com a estimulação catódica resultou numa diminuição regional do fluxo sanguíneo cerebral, indicando redução do processamento cortical da dor (há um efeito subclínico, devido esta mudança na atividade cerebral não alterar a percepção da entrada nociceptiva). Há uma série de explicações possíveis para estes resultados. O mais fácil seria: a ETCC não funciona, o processamento da dor e a percepção de dor não podem ser alterados por meio da aplicação de corrente elétrica na parte externa do crânio. Mas de alguma forma isto parece muito simplista, e torna mais difícil explicar por que outras técnicas (tais como potenciais evocados dor) tenham identificado alterações na excitabilidade cerebral bastante consistentes. A natureza multidimensional da dor é a explicação mais provável e se situa dentro do que é frequentemente citado. “A percepção da dor depende de diferentes vias e como a avaliação da dor é um processo mais complexo do que a simples processamento somatossensorial de potenciais evocados.” Referência e fonte: Ihle K, Rodriguez-Raecke R, Luedtke K, May A. tDCS modulates cortical nociceptive processing but has little to no impact on pain perception. Pain. 2014 155(10):2080-7 http://www.bodyinmind.org/tdcs-chronic-pain/