Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Estudo desvenda novos fatos sobre o efeito placebo e sua relação com a atividade opióide durante a dor

DOL · Dor On Line Edição 86 · Setembro 2007 ⭳ Baixar em PDF

Pesquisadores norte-americanos investigaram o efeito placebo durante a percepção dolorosa provocada por calor. O placebo (palavra derivada da primeira pessoa do singular no futuro do indicativo do verbo latino placere, que significa literalmente "agradarei") é um tratamento inerte, que pode, inclusive, ser administrado na forma de um fármaco, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está sendo tratado. Tal efeito, no que se refere à percepção dolorosa, foi demonstrado ser passível de reversão pela administração de naloxone - um fármaco usado em casos de overdose de opioides para evitar depressão respiratória fatal -, o que indica que seu mecanismo é dependente da liberação de fatores opioides endógenos. Os autores do estudo, utilizando tomografia de emissão de pósitrons (PET) e um agonista de receptores μ-opioides radiomarcado administrado em doses sub-farmacológicas, exploraram a liberação de opioides endógenos no cérebro de pacientes saudáveis submetidos à aplicação tópica de um creme placebo antes da exposição a estímulos quentes dolorosos ou não-dolorosos, assim como a influência da antecipação ao estímulo. O estudo foi capaz de determinar áreas ricas em receptores opioides no cérebro, além de também mostrar o aumento e diminuição da conectividade destas áreas durante a experiência dolorosa, permitindo a identificação das áreas mais importantes para o efeito placebo. Este fenômeno pode levar à analgesia por três principais mecanismos, segundo o trabalho: 1) por meio da potencialização da liberação de opioides endógenos no momento do estímulo; 2) pelo aumento da liberação inespecífica após o estímulo; e 3) pela diminuição de liberação de opioides durante a antecipação ao estímulo e consequente maior liberação durante o estímulo. Um aspecto interessante mostrado pelo estudo é que os indivíduos com maior nível de liberação de opioides endógenos devido ao efeito placebo não foram os que reportaram maior analgesia, o que indica que diferenças individuais são importantes para o efeito. Mais ainda, se cogita que, em futuros estudos, a caracterização dos sujeitos responsivos a placebo por via opioide pode ser interessante. Autores e procedência do estudo: Tor D. Wager (*†); David J. Scott (‡) and Jon-Kar Zubieta (‡§) – (*) Department of Psychology, Columbia University, 1190 Amsterdam Avenue, New York, NY 10027; and Departments of (§) Radiology and (‡) Psychiatry and Molecular and Behavioral Neuroscience Institute, University of Michigan, 205 Zina Pitcher Place, Ann Arbor, MI 48109-0720; Referência: Placebo effects on human μ-opioid activity during pain. PNAS. June 26, 2007 - vol. 104 - no. 26, 11056–11061.

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