
EUA busca aumentar o estoque de Cannabis sativa para pesquisa
Há séculos se conhece o uso medicinal da Cannabis sativa, popularmente conhecida no Brasil como maconha, contudo apenas em 1964 foi isolado seu primeiro componente, o AS-tetra- hidrocanabinol (A9-THC), principal substancia psicoativa dentre
Há séculos se conhece o uso medicinal da Cannabis sativa, popularmente conhecida no Brasil como maconha, contudo apenas em 1964 foi isolado seu primeiro componente, o AS-tetra- hidrocanabinol (A9-THC), principal substancia psicoativa dentre outros 400 já identificados. Estes compostos desencadeiam seus efeitos por interagirem com o sistema endocanabinoide, formado pelos receptores CB1 (sistema nervoso central e periférico) e CB2 (células do sistema imune), além de enzimas específicas de síntese e degradação de moléculas semelhantes produzidas endogenamente. Atualmente a maconha é a droga ilícita mais consumida em todo mundo, e seus efeitos adversos são principalmente a dependência, alterações cerebrais sutis, psicose e distúrbios alimentares. Entretanto, estudos já demonstraram efeitos benéficos em várias patologias, como epilepsia, transtornos alimentares, estresse e Alzheimer. Desde então, as pesquisas em torno da Cannabis têm aumentado cada vez mais e centros especializados são formados. Nos EUA grande parte dos estados permite o uso da maconha medicinal, mas apesar de os pacientes poderem adquirir o medicamento de vários distribuidores diferentes, todas as plantas usadas em laboratório de pesquisa derivavam de uma fonte única de plantação, encontrada na Universidade do Mississipi em Oxford. Como em qualquer planta, as concentrações das substancias apresentam variações entre plantações, ou seja, as pesquisas eram realizadas com compostos em concentrações diferentes das usadas pelos pacientes, o que atrasa os avanços científicos e pode causar prejuízos para o quadro médico do paciente. Para sobrepujar esse problema, no mês de agosto os EUA deu um passo à frente no que diz respeito a pesquisas com a maconha: a nova regra abrange a expansão do estoque, permitindo que mais produtores (devidamente registrados no DEA) possam plantar maconha para pesquisas bancadas pelo orçamento federal e setor privado. Isso é um fator positivo, pois facilitara o acesso ao produto para testes clínicos e tratamento, bem como aproximará os dados experimentais dos resultados clínicos. O efeito analgésico dos canabinoides está em foco, uma busca rápida em sites voltados para pesquisa cientifica e se encontra um crescente numero de publicações em fase de testes clínicos, mostrando que o tratamento de dor em patologias como o câncer, diabetes, neuropatia crônica, vem crescendo e se mostrando promissor, logo, é necessário que se invista em pesquisas e se quebre tabus.
Referências: Brucki SM, Frota NA, Schestatsky P, Souza AH, Carvalho VN, Manreza ML, Mendes MF, Comini-Frota E, Vasconcelos C, Tumas V, Ferraz HB, Barbosa E, Jurno ME.
Cannabinoids in neurology--Brazilian Academy of Neurology. Arq Neuropsiquiatr. 2015; 73(4):371-4 Alerta submetido em 30/08/2016 e aceito em 30/08/2016.