
Exercícios físicos e somação temporal da dor em pacientes fibromiálgicos
Pacientes portadores de fibromialgia (FMS) sofrem de dor crônica generalizada, com mecanismo ainda pouco conhecido em relação às alterações estruturais (anormalidades em tecidos periféricos) e origem da estimulação crônica de nociceptores. Processos fisiopatológicos centrais estão envolvidos, pelo menos em parte, com FMS. Em estudo com pacientes fibromiálgicos, Staud e cols. estudaram o efeito da somação temporal da dor (wind-up) após sucessivos estímulos térmicos. Encontraram evidências psicofisiológicas de que a transmissão da informação nociceptiva para o SNC possa estar alterada em pacientes portadores de FMS. A percepção da magnitude das respostas sensoriais tanto no primeiro estímulo quanto após uma série de estimulos foi maior em pacientes portadores de FMS quando comparados com pacientes controle. Após o último estímulo da série, os pacientes com FMS relataram dor mais intensa e duradoura à estimulação quando comparados com pacientes controle. Estes resultados, segundo os autores tem implicações na caracterização geral da dor e compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da FMS. Em outro estudo do mesmo grupo, foi avaliado o efeito do exercício físico no alívio da dor em pacientes com FMS. Os exercícios ativam opioides endógenos e sistemas adrenérgicos, mas a atenuação da dor por exercícios não tem sido consistente experimentalmente. Utilizando o mesmo modelo experimental, os autores submeteram ainda os pacientes a exercícios controlados antes das estimulações térmicas. Em pacientes saudáveis, a somação temporal da sensação de dor foi atenuada quando os testes foram feitos 1.5 ou 10 minutos após exercícios, enquanto que, em pacientes com FMS houve exacerbação do quadro de dor crônica, sugerindo que mecanismos descendentes inibitórios do controle da dor possam estar alterados em pacientes portadores desta doença.