
Expressão de dor é diferenciada em portadores de Síndrome de Down
Pesquisadores franceses e canadenses revelaram recentemente que indivíduos portadores da Síndrome de Down, os quais nem sempre exibem reações aversivas a estímulos nocivos, não são insensíveis à dor. Entretanto, expressam sinais de dor ou desconforto mais lentamente e com menor precisão quando comparados a população em geral. A pesquisa comparou indivíduos com ou sem a Síndrome em relação a latência de resposta a estímulos térmicos (frio) nocivos auto aplicados no punho e têmpora e a habilidade dos mesmos em localizar pontos de aplicação desses estímulos em regiões da mão, face e boca. Os portadores de Síndrome de Down tiveram aumento significativo na latência de resposta ao estímulo de frio auto aplicado e dificuldades na localização dos mesmos, principalmente na mão e face. Os autores alertam portanto que os médicos devem adotar procedimentos de controle da dor nesses indivíduos mesmo na ausência de manifestações óbvias de dor. Nota da redação: Em carta direcionada a revista Lancet, David Jessop da Universidade de Bristol, Inglaterra sugere que o decréscimo da percepção de dor em indivíduos com a Síndrome de Down poderia estar relacionada ao aumento de opioides (leu-encefalina e dinorfina) no córtex frontal dos mesmos. Esse aumento em áreas do cérebro envolvidas na integração das respostas fisiológicas ao meio ambiente poderia explicar o aumento do limiar nociceptivo nesses indivíduos.