
Farmacoterapia da dor neuropática em adultos
A dor neuropática afeta 7-8% das pessoas e vai se tornar cada vez mais comum por causa do envelhecimento da população, aumento da incidência de diabetes, e melhora da sobrevida de câncer. Infelizmente, a dor neuropática não é tratada sempre que está presente e tem um grande efeito negativo sobre a qualidade de vida, em parte por causa da baixa eficácia do tratamento, mas também por causa da ignorância sobre a melhor forma de usar os medicamentos disponíveis. Este problema pode ser abordado com a acessibilidade a orientações bem fundamentadas baseadas em evidências. A última década não viu qualquer mudança transformacional na gestão da dor neuropática, embora novos tratamentos foram introduzidos, os tratamentos existentes foram elaborados em novas formas farmacêuticas (por exemplo, emplastros de lidocaína tópica) e estudos testaram a eficácia de tratamentos combinados contra uma única droga. Neste inicio de 2015 foi lançada uma revisão sistemática e meta-análise no periódico The Lancet Neurology, produzido pelo Special Interest Group on Neuropathic Pain (NeuPSIG) da Associação Internacional de Estudo da Dor (IASP). Este grupo avaliou, entre 2013 e 2014, estudos aleatórios, duplo-cegos de farmacoterapia oral e tópica para a dor neuropática incluindo estudos publicados em revistas e jornais desde janeiro de 1966, e os ensaios inéditos recuperados do sítio ClinicalTrials.gov e sítios de empresas farmacêuticas. Os resultados permitiram uma forte recomendação para o uso e proposta como tratamento de primeira linha da dor neuropática por antidepressivos tricíclicos, inibidores da recaptação da serotonina-noradrenalina, a pregabalina e gabapentina; uma recomendação fraca para o uso e proposta como segunda linha de adesivos de lidocaína, adesivos de alta concentração de capsaicina e tramadol; e uma recomendação fraca para o uso e proposta como terceira linha de opioide fortes e toxina botulínica A. Os agentes tópicos e toxina botulínica do tipo A são recomendados apenas para a dor neuropática periférica. Referência: Finnerup NB, Attal N, Haroutounian S, McNicol E, Baron R, Dworkin RH, Gilron I, Haanpää M, Hansson P, Jensen TS, Kamerman PR, Lund K, Moore A, Raja SN, Rice AS, Rowbotham M, Sena E, Siddall P, Smith BH, Wallace M. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults: a systematic review and meta-analysis. Lancet Neurol. 2015 6. pii: S1474-4422(14)70251-0.