Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

FDA aprova uso do BOTOX para enxaqueca crônica

DOL · Dor On Line Edição 124 · Novembro 2010 ⭳ Baixar em PDF

A toxina tipo A (TBA) é uma neurotoxina produzida pela Clostridium botulinum, popularmente conhecida como BOTOX®, que bloqueia a liberação de acetilcolina nas placas motoras e, consequentemente, bloqueia a junção neuromuscular (paralisia). Devido a esse efeito, o uso da TBA com finalidade terapêutica é feito em anomalias onde há atividade muscular exacerbada, por exemplo, na distonia (termo utilizado para caracterizar doenças que envolvem espasmos musculares involuntários, produzindo movimentos e posturas anormais e frequentemente dolorosas). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) já aprovou diversos protocolos de tratamentos de anomalias com a TBA, tais como blefaroespasmo (fechamento ocular forçado, intermitente ou sustentado, devido à uma contração involuntária bilateral dos músculos orbiculares dos olhos), distonia de membro (contrações involuntárias da musculatura de um membro, resultando em movimentos repetitivos ou posturas anormais em uma extremidade), distonia cervical (espasmos dos músculos da região cervical), distonia oromandibular (movimentos involuntários anormais ou espasmos nos músculos inferiores da face), distonia laríngea (distonia focal com comprometimento dos músculos envolvidos no processo de vocalização), espasmo hemifacial (contrações unilaterais dos músculos da face) e, mais recentemente, para incontinência urinária (apenas para os casos onde as terapias convencionais medicamentosas não foram eficazes). A Agência Reguladora dos Estados Unidos (FDA) aprovou recentemente o uso da TBA para enxaqueca crônica (pulsação intensa ou latejamento em uma área da cabeça, frequentemente acompanhados por náusea, vômito e sensibilidade à luz e/ou a som), caracterizada com incidência de 14 crises ou mais de enxaqueca ao mês. O protocolo de tratamento consiste em aplicações de Botox aproximadamente a cada 12 semanas na área ao redor da cabeça e pescoço. Esse tratamento, todavia, é bastante dispendioso e os especialistas o aconselham apenas em casos extremos, não responsivos aos outros diversos tipos de tratamentos convencionais, pois pode desencadear ptose palpebral e facial, hipotonia mandibular, cefaleias, dores musculares ou hipotonia nos músculos do pescoço, costas e ombros e, por isso, o paciente precisa assinar termo de consentimento acerca de possíveis efeitos colaterais/adversos. Contudo, não deixa de ser uma alternativa para os pacientes que já tentaram, embora sem sucesso, diversas terapias para o alívio de sua enxaqueca. Fonte: http://www.fda.gov/NewsEvents/Newsroom/PressAnnouncements/ucm229782.htm

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