Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Fibromialgia e maconha medicinal

A fibromialgia é uma doença polissintomática caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga, distúrbios do sono e sintomas cognitivos. No entanto, sua causa ainda não é muito bem conhecida, o que torna extremamente difícil encontrar um

DOL · Dor On Line Edição 238 · Maio 2020 ⭳ Baixar em PDF

A fibromialgia é uma doença polissintomática caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga, distúrbios do sono e sintomas cognitivos. No entanto, sua causa ainda não é muito bem conhecida, o que torna extremamente difícil encontrar um tratamento médico satisfatório. Os medicamentos comumente utilizados possuem eficácia limitada e muitos efeitos colaterais, o que leva a uma baixa adesão ao tratamento pelo paciente. A maconha (Cannabis sativa) medicinal é uma opção terapêutica recentemente introduzida para os pacientes que estão insatisfeitos com seu tratamento atual, e tem se provado efetiva em diversas doenças relacionadas à dor.
O objetivo do presente estudo foi investigar a eficácia e os efeitos colaterais da maconha medicinal como tratamento complementar aos medicamentos já usados pelos pacientes diagnosticados com fibromialgia. Para tanto, testes clinicamente validados foram utilizados para avaliar a melhora clínica subjetiva da dor, fadiga, sono, ansiedade, depressão e a qualidade de vida. O estudo envolveu 102 pacientes com fibromialgia que receberam duas preparações farmacêuticas de Cannabis: Bedrocan (22% de THC, o principal composto psicotomimético da Cannabis, e 1% de canabidiol, o principal composto não-psicotomimético) à noite e Bediol (6,3% de THC e 8% de canabidiol) pela manhã.
Durante o estudo, 47% dos pacientes reduziram ou descontinuaram o tratamento clássico com analgésicos, o que reflete a percepção da eficácia da maconha medicinal na melhora da qualidade de vida. Já um terço dos pacientes experienciou efeitos adversos, tais como tontura, sonolência, palpitações, náusea e boca seca, no entanto, sem outros efeitos adversos sérios.
Trinta e três por cento dos pacientes mostraram uma melhora significativa no índice de FIQR, uma escala que avalia a função física, impacto geral da fibromialgia e sintomas como memória, sensibilidade, equilíbrio, dentre outros. Além disso, 44% dos pacientes tiveram uma melhora no sono (índice PSQI), o que é importante, pois distúrbios do sono diminuem a qualidade de vida e são correlacionados com a piora da dor. Uma proporção considerável dos pacientes teve pequenas melhoras nos índices de depressão e ansiedade (índices ZSR-D e ZSR-A), condições comuns em pacientes com fibromialgia. No entanto, quase não houve melhora no índice FAS, que avalia fadiga, qualidade do sono e escala de dor subjetiva, com 45,5% dos pacientes permanecendo em uma condição clínica estável.
Em conclusão, estes achados mostram que a maconha medicinal oferece vantagens em termo de eficácia, especialmente pelos seus efeitos sobre o sono e qualidade de

vida. No entanto, mais estudos são necessários para estabelecer as melhores estratégias em termos de posologia, proporção entre THC e canabidiol e duração do tratamento.
Referência: Giorgi V, Bongiovamni S, Atzeni F, Marotto D, Salaffi F, Sarzi-Puttini P. Adding medical cannabis to standard analgesic treatment for fibromyalgia: a prospective observational study. Clin Exp Rheumatol. 2020;38 Suppl 123(1):53-59. Alerta submetido em 07/04/2020 e aceito em 30/04/2020.
Escrito por Larissa Fernanda Matias Werworn.

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