
Há pessoas que não sentem dor – e isso não é uma vantagem (parte 1)
Recentemente a revista Superinteressante publicou uma reportagem relatando casos de pessoas que sofrem de insensibilidade total à dor. Segundo estudos, esta condição afeta menos de 300 pessoas em todo o mundo, sendo que no Brasil já foram diagnosticados pelo menos três casos. Uma vez que a função da dor seria de proteção, esta insensibilidade à dor dificulta muito a qualidade de vida destas pessoas. Inclusive, existem relatos de crianças que dilaceram a própria língua ou os dedos com os dentes, além de não sentirem quando fraturam ossos durante um simples jogo de basquete. A primeira teoria sobre a insensibilidade à dor baseava-se na produção excessiva de endorfinas, porém estudos mais elaborados demonstraram que se trata de um problema genético, no qual ocorrem mutações em um determinado tipo de canal de sódio denominado Nav 1.7. Estas alterações genéticas impedem que ocorra a propagação do impulso nervoso até o sistema nervoso central, ocasionando a insensibilidade dolorosa observada nestes pacientes. O estudo desta síndrome é importante, já que pode permitir uma melhora na qualidade de vida das pessoas afetadas, além de auxiliar na compreensão dos mecanismos neurais envolvidos na dor e contribuir para o desenvolvimento de medicamentos analgésicos. Fonte: Revista Superinteressante; Ed Abril - Edição 261, janeiro de 2009.