Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Mais um medicamento para dor lombar crônica?

DOL · Dor On Line Edição 124 · Novembro 2010 ⭳ Baixar em PDF

A dor lombar ou lombalgia localiza-se na parte inferior (lombar) da coluna vertebral. Estima-se que três em cada quatro adultos terão dores nas costas em algum momento de sua vida, o que pode ser resultado de má postura, sedentarismo, execução de exercícios de maneira errônea, dentre outros fatores. O tratamento convencional da dor lombar é feito farmacologicamente, com analgésicos e/ou opioides, diversos tipos de fisioterapia e medicina alternativa, como acupuntura. Em casos mais severos, quando há defeito estrutural na coluna, pode haver necessidade de cirurgia. A agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) aprovou o uso do Cymbalta® (duloxetina) no tratamento de dor musculoesquelética crônica, baseado em estudos que envolveram mais de 29 mil usuários desse medicamento e mais de 600 pacientes com osteoartrite e dor lombar crônica. O Cymbalta® foi primeiramente utilizado para depressão em 2004. O FDA já havia aprovado esse medicamento para o tratamento da neuropatia diabética periférica em 2004, para ansiedade generalizada e manutenção do tratamento de depressão maior em 2007 e para fibromialgia em 2008. Segundo o FDA, a aprovação foi baseada em quatro estudos aleatórios, duplos-cegos e controlados com placebo. No final do período, os pacientes tiveram redução significante da dor quando comparados aos pacientes que receberam placebo. Esta aprovação reflete um grande problema mundial relacionado à indústria farmacêutica, pois para aprovação e/ou lançamento de um novo fármaco deveria haver estudos onde tivesse um grupo controle que utilizasse fármaco de escolha para a patologia estudada, o que não ocorre (vide editorial “A acupuntura para dor lombar e as terapias alternativas: mais eficazes que o efeito placebo?”). Vale enfatizar que o Cymbalta®, assim como quaisquer outros medicamentos, não está livre de efeitos colaterais, que incluem náusea, boca seca, insônia, sonolência, constipação, fadiga e tonturas. Outros efeitos secundários graves incluem danos ao fígado, reações alérgicas tais como urticária, erupções cutâneas e/ou inchaço da face, pneumonia, depressão, pensamentos e comportamentos suicidas. A dose recomendada pelo FDA desse medicamento é de 60 miligramas uma vez ao dia. Fonte: http://www.fda.gov/NewsEvents/Newsroom/PressAnnouncements/ucm232708.htm

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