Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Mulheres relatam dor crescente durante estimulação dolorosa repetida, previsível ou imprevisível

DOL · Dor On Line Edição 145 · Agosto 2012 ⭳ Baixar em PDF

Em mais um estudo que aborda as diferenças entre homens e mulheres, pesquisadores belgas na área da Psicologia avaliaram o relato da dor e desconforto por estímulos dolorosos previsíveis (condicionados) e imprevisíveis (não condicionados), relacionando com o medo da dor e a ansiedade, respectivamente. Para a avaliação, utilizou-se um paradigma de movimento voluntário por joystick e estímulo doloroso eletrocutâneo condicionado (representando o medo) e incondicionado (representando a ansiedade). O estímulo condicionado ao movimento foi ajustado individualmente, onde o participante decidia a intensidade do estímulo que ele gostaria de receber repetidamente, sendo o estímulo já desconfortável e necessário o esforço para tolerá-lo. Maior dor foi relatada em estímulo condicionado que recebia estímulo doloroso, do que o que não recebia. Ansiedade antecipatória e uma falta de identificação de segurança foram evidenciadas no estímulo incondicionado. As mulheres relataram perceber mais dor gradualmente no estímulo condicionado, em contraste com os homens que não apresentaram tal sensibilização. Assim, os autores propõem que essa dor é parcialmente mediada por medo da dor relacionada com o movimento. Por fim, os autores ressaltam que os resultados obtidos concordam com achados prévios, que caracterizam as mulheres como mais propensas à somação temporal da dor, sendo vulneráveis para o desenvolvimento de distúrbios clínicos da dor. Em edições anteriores, o DOL publicou sobre as diferenças entre homens e mulheres no tocante à dor (Boletim DOL nº 141, ano 12), inclusive sobre fatores que podem colaborar para que a mulher perceba mais dor, como o papel de hormônios como a testosterona e o estrógeno (Boletins DOL nºs 75 - ano 7 - e 94 - ano 8) e padrões diferentes na ativação do sistema opioide (Boletim DOL nº 33, ano 3). Ainda, os autores propõem que os resultados do estímulo incondicionado sugerem que a imprevisibilidade possa estar envolvida em distúrbios da dor mais generalizados, muitas vezes mostrando comorbidade com transtornos de ansiedade e falta de aprendizagem de segurança. Referência: Meulders A, Vansteenwegen D, Vlaeyen JW. Women, but not men, report increasingly more pain during repeated (un)predictable painful electrocutaneous stimulation: Evidence for mediation by fear of pain. Pain. 2012 153(5):1030-41.

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