Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

O aquecimento é analgésico em recém-nascidos saudáveis

DOL · Dor On Line Edição 143 · Junho 2011 ⭳ Baixar em PDF

Recém-nascidos experimentam dor como parte da rotina normal de cuidados. Esta dor vem sob a forma de procedimentos invasivos como coleta de sangue, vacinas e injeções de vitaminas. Recém-nascidos prematuros exigem uma maior assistência médica, que resulta em uma maior exposição a procedimentos dolorosos. A prevenção da dor no recém-nascido tem sido cada vez mais vista como um objetivo primário dos profissionais da saúde e, quando não prevenida, pode ter consequências prejudiciais, incluindo maior sensibilidade à dor ao final da infância. Além disso, dor no recém-nascido é uma fonte de preocupação e angústia para os novos pais e pode perturbar a amamentação e a ligação mãe-bebê. Os temores sobre efeitos adversos de drogas farmacológicas sobre o desenvolvimento do sistema nervoso de recém-nascidos pode ser uma razão para a subutilização das técnicas analgésicas conhecidamente eficazes. Dessa forma, pesquisadores da University of Chicago Comer Childrens Hospital publicaram um estudo no Journal of the International Association for the Study of Pain e identificaram uma maneira comportamental e não farmacológica de prevenir e reduzir a dor no recém-nascido. O propósito deste estudo foi o de explorar as propriedades analgésicas do calor aplicado ao recém-nascido em relação às técnicas analgésicas utilizadas atualmente: gosto adocicado (sacarose) e sucção (chupeta). Para o estudo foi utilizada uma amostra prospectiva controlada e aleatória de 47 recém-nascidos saudáveis nascidos a termo. Os bebês foram colocados aleatoriamente em uma de três condições para a vacinação: exposição ao calor na incubadora, utilização de chupeta ou sacarose oral, todos por 2 minutos antes da injeção. Foram analisadas as diferenças no choro, nas caretas e nos batimentos cardíacos entre os grupos antes, durante e depois da vacinação. Os bebês mais aquecidos choraram significativamente menos do que os outros dois grupos depois da vacinação. Os padrões nos batimentos cardíacos refletiram essa analgesia. A temperatura central dos bebês não foi alterada de um grupo para outro. Os resultados do estudo levaram a conclusão que manter o recém-nascido sob aquecimento natural durante um procedimento doloroso é mais eficaz em reduzir o choro e as caretas do que os tratamentos padrão “ouro” de utilização de chupeta ou de sacarose oral. Neste mesmo sentido, Amy Baxter, uma pediatra de Atlanta, nos Estados Unidos, trabalhou em vários hospitais até que um de seus filhos desenvolveu fobia de agulhas. Diante do escândalo que o menino costumava dar na hora de tomar injeções, Amy começou a estudar maneiras de aliviar a dor que as crianças sentiam com as agulhas. A médica criou um dispositivo que batizou de Buzzy: uma abelha de plástico movida à bateria que vibra e gela o local da injeção. Segundo ela, a temperatura baixa confunde os nervos, que respondem com menos dor às picadas e a vibração ajuda a distrair a criança. Dessa forma, é importante a maior exploração destes e de outros recursos naturais, analgésicos não farmacológicos no controle da dor nesta população vulnerável. Referência: Gray L, Lang CW, Porges SW. Warmth is analgesic in healthy newborns. Pain. 2012 153(5):960-6.

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