Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

O efeito da modificação viés cognitivo para interpretação em evitar a dor durante uma tarefa experimental de dor aguda

DOL · Dor On Line Edição 170 · Outubro 2014 ⭳ Baixar em PDF

O viés cognitivo é a tendência humana de cometer erros sistemáticos em certas circunstâncias, baseados em fatores cognitivos ao invés de evidências. Existem estudos que mostram que pacientes com dor crônica apresentam uma tendência a interpretar estímulos ambíguos como dor relacionada, levantando a questão se o viés interpretativo no sentido de dor também pode ser modificado e se teria valor terapêutico, pois em estudos clínicos a modificação do viés de atenção para dor tem demonstrado um potencial terapêutico. Esta abordagem cognitivista é diferente da abordagem comportamentalista, apresentada na nossa última edição (A intensidade de dor e o condicionamento pavloviano - edição de agosto de 2014, ano 15, número 169). O estudo teve como objetivo modificar as interpretações de situações dos participantes, como sendo a dor relacionada ou não relacionada com a modificação do viés cognitivo para interpretação (CBM-I), avaliando os participantes em uma tarefa de pressão ao frio. Para a análise participaram no total 98 estudantes do primeiro ano de psicologia, sendo 69 do sexo feminino e com idade entre 17 e 41 anos. Estes foram alocados aleatoriamente para 1 de 2 condições nos cenários ambíguos da tarefa. Ambos os grupos foram levados a esperar o mesmo nível de intensidade da dor, mas os participantes que estavam na condição de ameaça recebiam informações sobre a tarefa de pressão ao frio como “tarefa vasodilatação” e de uma maneira mais assustadora, enquanto que o grupo de segurança recebeu informações referentes à tarefa fria compressor”, de uma maneira tranquilizadora e com um exemplo cotidiano. Os participantes completaram as questões presentes no DASS-21, PANAS, FPQ-III e PCS. Na CMB-I foi utilizado o método de cenários ambíguos, no qual os participantes escutavam uma descrição e terminava com o fragmento de uma palavra, onde a solução da palavra final determinaria atribuição do viés a dor ou a condição de viés nenhuma dor. Também foram analisadas cinco medidas de dor, sendo as variáveis: hesitação, limiar de dor, tolerância a dor, classificações de dor e angústia, utilizando a análise de covariância (ANCOVA) para determinar o efeito de CBM-I e se o viés interpretativo foi associado a evolução da dor. Enfim, a ANCOVA de hesitação revelou um efeito significativo principal no grupo de ameaça, no qual os participantes que receberam informações ameaçadoras sobre a tarefa de pressão ao frio hesitaram mais em média do que aqueles que receberam informações tranquilizadoras. Com relação aos demais índices de dor, não foram observados efeitos significativos. Esse foi o primeiro estudo da CBM-I na literatura da dor, tendo algumas limitações. Assim, para que a CBM-I afete a tolerância e os desfechos de dor secundárias, em outros estudos a modificação do viés cognitivo induzido precisava ser mais duradoura para ter o feedback da experiência de dor. Referência: Jones, E.B; Sharpe, L. The effect of cognitive bias modification for interpretation on avoidance of pain during an acute experimental pain task. Pain. 2014, 155: 1569-1576.

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