
O risco de dor crônica associado à um subgrupo com dismenorreia
A dismenorreia prejudica a qualidade de vida de um terço das mulheres em idade reprodutiva, além disso, é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de dor pélvica crônica. Estudos prévios identificaram um subgrupo de mulhere
A dismenorreia prejudica a qualidade de vida de um terço das mulheres em idade reprodutiva, além disso, é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de dor pélvica crônica. Estudos prévios identificaram um subgrupo de mulheres com dismenorreia que apresentam hipersensibilidade à dor de bexiga. Com isso, o estudo busca ampliar a caracterização desse subgrupo a partir de testes sensoriais quantitativos e compreender o risco de dor crônica associado à dismenorreia. Trata-se de um estudo estadunidense envolvendo 232 mulheres em idade reprodutiva. Na visita de triagem, as participantes avaliaram a intensidade de diferentes tipos de dor por meio da escala numérica da dor e da escala visual analógica. Com base nesses dados, as participantes foram distribuídas em 5 subgrupos: (1) participantes saudáveis, (2) participantes com dismenorreia, (3) participantes com dismenorreia e hipersensibilidade à dor de bexiga, (4) participantes com síndrome da bexiga dolorosa e (5) participantes com dor crônica. Durante a visita de avaliação, as participantes foram submetidas ao teste não invasivo de enchimento de bexiga para avaliação dos limiares de urgência cistométricas. Além disso, participaram do exame para detecção dos limiares de dor
por pressão em quatro pontos do assoalho pélvico e 3 pontos da superfície corporal, conhecidos como pontos dolorosos da fibromialgia. Outro método executado foi a avaliação da modulação condicionada da dor com a aferição do limiar de dor por pressão antes e após a adição de um estímulo condicionante. Os testes sensoriais quantitativos reafirmaram a sensibilidade à dor de bexiga no subgrupo alvo do estudo. Isso foi fundamentado pela diminuição dos limiares de dor por pressão e aumento na intensidade da dor nas análises cistométricas, ambas comparáveis às participantes com síndrome da bexiga dolorosa. Ademais, as participantes desse subgrupo apresentaram diminuição na modulação condicionada da dor e hipersensibilidade em localizações extrapélvicas, como é observado em outras condições de dor crônica. Os autores concluem que são necessários mais estudos, porém apontam a transição da dor ciclíca para uma possível dor crônica nos quadros de dismenorreia associada à hipersensibilidade à dor de bexiga. Referência: Hellman KM, Roth GE, Dillane KE, et al. Dysmenorrhea subtypes exhibit differential quantitative sensory assessment profiles. Pain. 2020; 161(6):1227- 1236. doi:10.1097/j.pain.0000000000001826 Alerta submetido em 14/08/2020 e aceito em 17/08/2020. Escrito por Mariana Lôbo Moreira.