
Postura e comunicação do médico são essenciais no manejo terapêutico das dores crônicas
A dor é considerada uma doença debilitante que envolve componentes afetivo-emocionais. A complexidade no tratamento da dor é um desafio para os cientistas e clínicos que estão interessados no desenvolvimento de novas terapêuticas farmacológicas. Dentre os tipos de dor, a dor crônica é a causa de inúmeros atendimentos hospitalares, na maioria das vezes considerada como uma condição permanente e intratável de difícil diagnóstico. Tal complexidade no tratamento da dor crônica tem sido considerada agravante principalmente pela maneira com que os médicos se comportam frente ao paciente. Recentemente, estudos apontam que a postura do médico pode influenciar no resultado efetivo do tratamento, quando relacionado ao aspecto ‘’confiança transmitida’’. Além de todo tratamento terapêutico o paciente com dor necessita de um acompanhamento psicológico. Estudos apontam que há uma melhor aceitação no tratamento. A confiança é particularmente um ponto crítico na adesão dos pacientes ao tratamento. É consenso que apenas dizer o que o paciente deve fazer não funciona efetivamente. O médico precisa incentivar e motivar a mudança de comportamento para que os pacientes possam adaptar-se as suas expectativas e tornar-se confortável com a sua experiência de dor, que é única para cada indivíduo que a descreve. Dados apontam que pacientes com dor crônica são mais susceptíveis a desenvolverem depressão e ansiedade 75% sofrem de depressão, 60% reduziram o gozo da vida, 70% têm dificuldade de concentração e 75% têm distúrbios do sono, nesse aspecto a psicologia como tratamento complementar se torna importante na reabilitação da dor crônica. Por fim, o resultado final do tratamento é não alterar a percepção interna de cada indivíduo, mas sim mudar a forma como os pacientes respondem a sua dor, para que tenham uma vida relativamente normal e de preferência que desenvolvam suas atividades do dia a dia. O médico nesses aspectos precisa ajudar os pacientes a entender que a sua experiência de dor vai afetar suas emoções e comportamento, e ao mesmo tempo que causa sofrimento ele deve fornecedor ferramentas para que cada indivíduo encontre sua forma de aceitar a dor e se comportar para que a dor tenha o mínimo de impacto sobre a sua vida cotidiana. Algumas estratégicas psicológicas para o tratamento de dor crônica incluem o uso de terapia de aceitação e compromisso (ACT) e as abordagens da consciência plena, como parte da terapia cognitivo-comportamental (TCC). Estes tratamentos podem ajudar os pacientes a encarar a sua dor em um contexto e fazer mudanças comportamentais que podem acomodar-se a dor. Sendo assim, olhar para os aspectos psicológicos como um todo dos pacientes irá melhorar o controle dos sintomas da dor crônica e principalmente devolver melhores níveis na qualidade de vida. Referências: Goodman, A. Communication and Behavior of Physician Important in Managing Chronic Pain. Pain Med. News 12(9) 2014. http://www.painmedicinenews.com/ViewArticle.aspx?d=Nonpharmacologic%2bTherapy&d_id=84&i=September+2014&i_id=1100&a_id=28104&tab=MostRead