
Recém-nascidos são capazes de reconhecer estímulos nocivos e diferenciá-los de estímulos inócuos?
Uma importante questão para a neurociência sempre foi descobrir a partir de qual momento crianças recém-nascidas conseguem discriminar estímulos nociceptivos (dolorosos) de um estímulo inócuo. Recentemente, um grupo de pesquisa liderado pela professora Maria Fitzgerald demonstrou a mudança temporal nos padrões de atividade neuronal de reconhecimento e discriminação de estímulos nociceptivos e do toque em recém-nascidos pré-termos. Utilizando um método não invasivo de eletroencefalografia, eles avaliaram a atividade neuronal cerebral de bebês com idade gestacional variando entre 28-45 semanas (calculada a partir do primeiro dia após a ultima menstruação maternal). O teste foi realizado quatro semanas após o nascimento, sendo os bebês submetidos ao famoso teste do pezinho ou simples toque plantar. Desta forma, eles identificaram uma transição temporal entre 35 e 37 semanas de idade gestacional da resposta cerebral após o estímulo tátil ou nocivo. Antes deste período, as duas formas de estímulo desencadeiam uma mesma resposta inespecífica com ativação neuronal dispersa. Os autores demonstraram que, após 35-37 semanas já é possível detectar uma atividade neuronal localizada com potenciais neuronais evocados diferentemente por estímulos nociceptivos dos potenciais evocados pelo simples toque. Estes resultados sugerem que em humanos os circuitos neurais específicos necessários para discriminação de um estímulo nociceptivo do toque surgem entre 35-37 semanas de gestação. Referência e fonte: Lorenzo Fabrizisend, Rebeccah Slater, Alan Worley, Judith Meek, Stewart Boyd, Sofia Olhede, Maria Fitzgerald. A Shift in Sensory Processing that Enables the Developing Human Brain to Discriminate Touch from Pain. Curr Biol. 2011 Sep 7. Epub ahead of print http://www.cell.com/current-biology/abstract/S0960-9822%2811%2900885-2