Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Regiões cerebrais envolvidas na redução da dor ao segurar a mão do

parceiro(a) Dor, por definição, não é apenas a sensação física referente ao dano, mas também a experiência emocional associada a ela (IASP). Nesse sentido, há inúmeros artigos científicos mostrando a efetividade de situações como ouvir músi

DOL · Dor On Line Edição 232 · Novembro 2019 ⭳ Baixar em PDF

parceiro(a) Dor, por definição, não é apenas a sensação física referente ao dano, mas também a experiência emocional associada a ela (IASP). Nesse sentido, há inúmeros artigos científicos mostrando a efetividade de situações como ouvir música ou até mesmo falar palavrão, na redução da dor. O DOL também já trouxe um trabalho que mostra que mulheres que mordem a mão dos companheiros (as) durante o parto, sentem menos dor! Uma das situações mais concretas nesse sentido é o toque: segurar a mão, estar perto. Embora seja claro o quanto esse suporte é capaz de reduzir a dor, pouco sabemos sobre as vias e estruturas neurais envolvidas nessa resposta. Um estudo recentemente publicado na revista Pain, avaliou 30 mulheres, submetidas a um estímulo térmico doloroso, enquanto seguravam a mão do seu parceiro (a) ou um dispositivo inerte. O toque do parceiro foi capaz de atenuar a sensação dolorosa induzida por uma placa quente, reduzindo a atividade cerebral no que os autores chamaram de Assinatura Neurológica da Dor (avaliada por ressonância magnética). As estruturas em que foi observada uma redução da atividade abrangem:
* regiões alvo de aferentes nociceptivos primários: ínsula posterior e córtex
cingulado anterior * regiões associadas ao valor afetivo: córtex orbitofrontal * regiões associadas a significado: córtex pré-frontal ventromedial

* regiões associadas ao estresse e comportamento defensivo: córtex pré frontal ventromedial e dorsomedial, córtex cingulado anterior rostral, amígdala / hipocampo, hipotálamo e substância cinzenta periaquedutal.
Mais interessante! Os autores mostram que a redução da atividade cerebral dessas
regiões estava diretamente ligada à qualidade do relacionamento do casal! Quanto
melhor alegavam estar o relacionamento, maior a analgesia!
O toque, a atenção, a presença e o cuidado do parceiro (a) certamente afetam os
processos cerebrais centrais que contribuem para a dor e o sofrimento afetivo.
Nesse sentido, é fundamental que as equipes de saúde pensem nesse aspecto
como parte indispensável do cuidado ao paciente, de forma a melhorar a
experiência em procedimentos dolorosos e facilitar o trabalho da equipe.
Referência: López-Solã, Geuter S, Koban L, Coan JA, Wager TD. Brain mechanisms
of social touch-induced analgesia in females. Pain. 2019; 160(9):2072-2085.
Alerta submetido em 24/10/2019 e aceito em 24/10/2019.

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