Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Tratamento para dor feito “sobre medida”

Os seres humanos são tão individuais e variados como suas impressões digitais. Esta variabilidade muitas vezes não faz diferença em relação à eficácia de certos medicamentos, isto é, um mesmo medicamento age da mesma forma, tem o mesmo efei

DOL · Dor On Line Edição 211 · Fevereiro 2018 ⭳ Baixar em PDF

Os seres humanos são tão individuais e variados como suas impressões digitais. Esta variabilidade muitas vezes não faz diferença em relação à eficácia de certos medicamentos, isto é, um mesmo medicamento age da mesma forma, tem o mesmo efeito em diferentes pessoas. No entanto, esta variação algumas vezes pode apresentar um grande desafio, uma vez que não é de se surpreender que os medicamentos disponíveis no mercado para o tratamento de diversas doenças não tenham a mesma eficácia dentro de um mesmo grupo de pacientes. De fato, pacientes com uma mesma patologia podem responder ou não a um mesmo tratamento, o que pode ser observado nos efeitos adversos que alguns pacientes apresentam ou até mesmo casos de morte, quando o tratamento falha.
Essa variabilidade entre as pessoas pode ser decorrente de pequenas diferenças genéticas ou até mesmo entre os metabólitos encontrados dentro das células. O que os cientistas esperam com uma medicina personalizada é tratar doenças de forma mais eficaz, de acordo com características muito especificas em um subgrupo de pacientes, mas ao mesmo tempo em que as tornam diferentes de outros subgrupos dentro de uma mesma doença. Por exemplo, foi observado que pacientes com dor neuropática podem ser subdivididos em três subgrupos com características distintas: os que apresentam 1) perda sensorial; 2) hiperalgesia térmica ou 3) hiperalgesia mecânica. Se pensarmos que todos têm dor neuropática, poderíamos supor que todos respondessem da mesma forma ao mesmo analgésico. Contudo, nem todos os pacientes com dor neuropática apresentam melhora na dor após o uso de um mesmo medicamento. Hoje, sabendo que dentro desse grupo existem subgrupos, entendemos que o medicamento deve ser mais personalizado, com alvos moleculares específicos, uma vez que os mecanismos envolvidos na perda de sensibilidade, na hiperalgesia térmica ou mecânica são distintos. A descoberta de novos mecanismos envolvidos na sinalização da dor, permite que os pacientes sejam classificados de acordo com as características de como a dor se apresenta, é sentida. Assim, implementar uma terapia individualizada para tratar a dor neuropática, com alvos genéticos e moleculares específicos pode ser algo bastante promissor.

A medicina personalizada já apresenta um grande avanço no tratamento do câncer, sendo possível através de testes genéticos em biopsias o médico decidir a melhor opção de tratamento para o tipo de tumor que expressa alguns genes em especifico.
A informação a nível genético e molecular está se tornando essencial e uma ferramenta que será cada vez mais utilizada para personalizar e melhorar o tratamento de diversas patologias. A ciência evolui a cada dia e provavelmente em um futuro próximo terapias personalizadas estarão disponíveis para o tratamento de diferentes patologias, incluindo os diversos tipos de dor.
Referência: Bennett D. Pain medicine gets personal. Lancet Neurol. 2018, (1):15- 17.
Alerta submetido em 18/12/2017 e aceito em 02/02/2018.

← Voltar à edição 211