
Quimiocinas na dor: Sessão VII - CCL21: sinalizador para uma reação em cadeia de neuroimunidade
As quimiocinas foram descobertas pela sua capacidade de modular adesão, quimiotaxia e ativação leucocitária. No entanto, atualmente sabe-se que podem estar envolvidas em outras funções, como o desenvolvimento de linfócitos T e B
cadeia de neuroimunidade Mariane Aparecida da Silva Marques*, Marília Pereira da Silva”, Paola Costa Carvalho” e Mani Indiana Funez *
As quimiocinas foram descobertas pela sua capacidade de modular adesão, quimiotaxia e ativação leucocitária. No entanto, atualmente sabe-se que podem estar envolvidas em outras funções, como o desenvolvimento de linfócitos T e B, maturação de células dendríticas e infecção, por exemplo. Além disso, também podem atuar como sinalizadoras para a microglia, com potencial efeito na dor neuropática. Nesse importante cenário, faz-se relevante o estudo de cada quimiocina mais aprofundadamente. No presente editorial, o enfoque será dado à CcL21.
Sistematicamente, a organização celular de um órgão linfoide é iniciada pelas células estromais e do endotélio vascular, secretando a quimiocina CCL21. As células dendríticas expressam um receptor para CCL21, o CCRT7, e são atraídas para o local pela CCL21, Esta tem função homeostática, é mediadora do tráfego de linfócitos T naives (ingênuos) e também tem papel na apresentação e ativação das células T, bem como no recrutamento de linfócitos para tecidos inflamados. A respeito da função homeostática e considerando a CCL21 como ligante cr mesmo após estímulos nocivos, dependem da CCL21 para a sua maturação. Além disso, a CCL21 possui papel na organização estrutural de órgãos linfoides uma vez que é responsável por atrair as células dendríticas derivadas da medula óssea para formar a zona das células T.
ico do receptor CCR7, achados sugerem que as células dendríticas,
Quando ocorre lesão de tecido nervoso, há direcionamento de células imunes que, por sua vez, estimulam a glia a expressar outras moléculas com papel na neuroimunidade para a sinalização e recrutamento de outras substâncias. Especialmente em quadros de dor neuropática, estudos têm demonstrado aumento na expressão de CCL21 e papel sinalizador com microglia. Essa quimiocina é responsável por resposta quimiotáxica pela microglia e é capaz de ligar e ativar receptores CCR7 e CXCR3, que também são expressos pela microglia. Como mencionado anteriormente, o principal receptor para CCL21 é o CCR7, não encontrado na microglia em condições basais, porém em situações patológicas como a lesão medular é possível detectar sua expressão. Além disso, após a neutralização da CCL21, a dor relacionada à lesão medular é revertida.
Em modelos de lesão neuronal in vitro, pode-se observar regulação e liberação da CCL21 quando neurônios são expostos a altas concentrações de glutamato. Esta por sua vez estimula a liberação dos aminoácidos excitatórios glutamato e aspartato, contribuindo assim para resposta tecidual à lesão. Também se verificou que, além da liberação de CCL21 nos corpos celulares de neurônios nociceptivos após lesão da medula espinhal, há liberação distal e
ativação de microglia em regiões não lesionadas, demonstrando assim papel autócrino para esta quimiocina.
Assim, quimiocinas como a CCL21 são armazenadas em vesículas nos corpos celulares e transportadas através dos axônios da raiz dorsal para o corno da medula espinhal quando há lesão neuronial. Neste cenário medeiam a comunicação entre neurônios lesionados e a microglia, contribuindo para a dor neuropática.
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* Equipe de extensão da Faculdade de Ceilândia - Universidade de Brasília (FCE - UnB).
** Professora Adjunta na área de Enfermagem e Farmacologia da Faculdade de Ceilândia - Universidade de Brasília.








