Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Tratamentos eficazes contra a dor de cabeça

DOL · Dor On Line Edição 145 · Agosto 2012 ⭳ Baixar em PDF

A Organização Mundial de Saúde indica que entre 10 pessoas ao menos 7 têm migrânea esporádica ou frequente. A migrânea (dor de cabeça) é caracterizada por uma desordem comum, debilitante e bastante dispendiosa, a qual não há cura. Entretanto, há tratamentos preventivos que promovem o decréscimo da frequência e severidade dos ataques, melhorando consequentemente a qualidade de vida. Os sintomas das dores de cabeça são variáveis, os mais comuns são dor latejante em um ou nos dois lados do crânio, sensação de pressão ou de pontadas. Para o alívio imediato destes sintomas a maioria das pessoas tenta tratar o desconforto com um analgésico. Entretanto, na maior parte das vezes, antes mesmo deste medicamento fazer efeito, a pessoa acaba tomando mais uma dose e o alívio nem sempre chega. Haja vista todo o transtorno que a dor de cabeça acarreta, inúmeros estudos vem tentando melhorar essa condição debilitante. As reconhecidas American Headache Society (AHS) e a American Academy of Neurology (AAN), com o intuito de reunir os tratamentos para dor de cabeça com eficácia cientificamente comprovadas no tratamento da dor de cabeça, lançaram recentemente o Guia de prevenção da migrânea episódica. Inclusive, um dos autores deste Guia acredita que mais de 50% das crises de migrânea possam ser evitadas por bons tratamentos preventivos. De acordo com os líderes deste Guia, os tratamentos profiláticos mais poderosos consistem na associação de triptanos (moduladores de neurotransmissores), betabloqueadores (diminuem a pressão intracraniana que se manifesta em alguns tipos de dor de cabeça) e anti-inflamatórios não esteroidais (impedem a dilatação dos vasos sanguíneos craniais). Este Guia reuniu informações de outros 2000 guias (publicados entre janeiro de 2008 a abril de 2012) de tratamento preventivo de migrânea em adultos de 18 anos ou mais, sendo excluídos grupos específicos, como mulheres grávidas e crianças. O guia dividiu os tratamentos em níveis, de acordo com as evidências de sua eficácia. No nível A constam drogas que foram estabelecidas como efetivas para tratar pacientes que necessitam de profilaxia da migrânea episódica, por exemplo, Divalproex/Valproato de Sódio, Metoprolol, Propranolol, Timolol e Topiramato. Drogas de nível B são provavelmente eficazes e também podem ser utilizadas em pacientes que necessitem de profilaxia deste mal, tais como Amitriptilina, Fenoprofeno, Histamina, Ibuprofeno, Cetoprofeno, Naproxeno Sódico, Riboflavina, Venlafaxina e Atenolol. Ainda, drogas de nível C, consideradas possivelmente eficazes, podendo ser consideradas na profilaxia da migrânea episódica incluem Candesartan, Carbamazepina, Clonidina, Guanfacina, Lisinopril, Nebivolol, Pindolol, Flurbiprofeno, Ácido Mefenâmico, Coenzima Q10 e Ciproheptadina. É importante lembrar que a leitura deste guia ou de outros semelhantes não substitui a importância e necessidade de procurar ajuda médica, para avaliar cada caso em específico e indicar o tratamento mais adequado. Além disto, este Guia também apontou, de acordo com diversos estudos, os medicamentos/procedimentos com evidências inadequadas ou conflitantes sobre sua eficácia na profilaxia da migrânea episódica. Por exemplo, Acetazolamida, Aspirina, Bisoprolol, Fluoxetina, Gabapentina, Oxigênio Hiperbárico, Indometacina, Nifedipina, Nimodipina, Ômega-3, Verapamil, dentre outros. Ainda, o mesmo indicou também os medicamentos/procedimentos estabelecidos como possivelmente ou provavelmente ineficazes para profilaxia da migrânea episódica, portanto, não devem ser indicados para este fim. São exemplos: Acebutalol, Clomipramina, Clonazepam, Lamotrigina, Montelucaste, dentre outros. Mesmo com tratamentos bastantes eficazes disponíveis, a esperança de encontrar armas ainda mais potentes e com menores efeitos colaterais tem levado os pesquisadores a explorar o envolvimento de cada parte do cérebro nas dores de cabeça. Os sofredores deste terrível mal agradecerão a cada avanço nesta área. Fonte: Adaptado do “AHS/AAN Migraine Prevention Guidelines 2012.

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