Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Treinamento e práticas dos funcionários do dispensário de Cannabis

Devido à legalização do uso da Cannabis para fins medicinais em cerca de metade do território dos Estados Unidos, a dispensação desse produto vem aumentando consideravelmente. Sendo assim, a qualificação dos profissionais responsáveis pela

DOL · Dor On Line Edição 199 · Fevereiro 2017 ⭳ Baixar em PDF

Devido à legalização do uso da Cannabis para fins medicinais em cerca de metade do território dos Estados Unidos, a dispensação desse produto vem aumentando consideravelmente. Sendo assim, a qualificação dos profissionais responsáveis pela dispensação e escolha desses medicamentos é essencial, já que questões como orientações aos pacientes acerca do medicamento e recomendações sobre concentrações de canabinoides podem influenciar no resultado da terapia.
Tendo como objetivo avaliar o preparo de pessoas que trabalham na área da saúde responsáveis pela dispensação e verificar se as práticas realizadas são baseadas em evidências, um estudo recrutou profissionais de saúde de diferentes estados do país, por meio de e-mail e redes sociais, para responderem a um inquérito on-line. O questionário abordava o treinamento e o aconselhamento fornecido aos pacientes, além de listar a concentração de canabinoides e estirpes de cannabis recomendadas em determinadas condições.
Os resultados demonstraram que somente 55% dos profissionais que participaram do estudo alegaram ter recebido algum tipo de treinamento formal. Entretanto, 94% prestam orientações aos pacientes, principalmente sobre efeitos adversos e os benefícios da cannabis para sintomas específicos. Os sintomas mais frequentes foram dor crônica, insônia e ansiedade. Essas recomendações são úteis para as condições individuais dos pacientes e são baseadas em várias fontes, tanto empíricas como não empíricas. Os funcionários também afirmam que fazem recomendações para espécies de cannabis (sativa, indica, híbrida) com

base em condição ou doença particular. As diferentes estirpes de cannabis não parecem apresentar discrepâncias em efeitos subjetivos, como as concentrações de canabinoides, ou seja, ainda não há base teórica que justifique a indicação de uma ou outra espécie a partir da condição clínica.
As recomendações realizadas pelos profissionais sobre concentração de canabinoides (tetrahidrocanabinol ou THC, canabidio! ou CBD), de acordo com sintomas e condições particulares, também estavam em desacordo com a literatura existente. Em alguns casos essas indicações podem piorar o quadro do paciente, como, por exemplo, o THC, que pode levar a reações de ansiedade aguda e de longo prazo, e 13% dos profissionais a indicam para esse quadro. Outras indicações simplesmente não são consideradas eficazes para determinada condição, como aponta o estudo ao afirmar que 33% dos profissionais recomendam THC para depressão, quando, na verdade, o canabinoide adequado seria o cBD.
Dessa forma, esse estudo demonstra a necessidade de capacitação, educação continuada e da racionalização de práticas exercidas por responsáveis pela dispensação e escolha dos canabinoides, visando uma terapia adequada para cada paciente e diminuindo os casos de ineficácia do tratamento e piora do quadro clínico.
Referência: Haug Nancy A., Kieschnick Dustin, Sottile James E., Babson Kimberly A., Vandrey Ryan, and Bonn-Miller Marcel O.. Cannabis and Cannabinoid Research. December 2016, 1(1): 244-251. doi:10.1089/can.2016.0024
Alerta submetido em 24/12/2016 e aceito em 24/12/2016.

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