
Fibromialgia: doença ou sintoma?
A fibromialgia foi primeiramente conceituada em 1990 por Frederick Wolfe. Caracterizada por dor músculo-esquelética difusa, rigidez em associação com fadiga, também é relacionada a problemas do sono e distúrbios do humor. Emoções como tristeza, raiva, ansiedade
A fibromialgia foi primeiramente conceituada em 1990 por Frederick Wolfe. Caracterizada por dor músculo-esquelética difusa, rigidez em associação com fadiga, também é relacionada a problemas do sono e distúrbios do humor. Emoções como tristeza, raiva, ansiedade e depressão parecem ter papel importante tanto na manutenção como na exacerbação destes sintomas. Não existem exames laboratoriais ou de imagem que diagnostiquem a fibromialgia. O diagnóstico baseia-se na análise de dezoito pontos específicos no corpo definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia. Geralmente, a síndrome é diagnosticada quando a dor está presente em pelo menos onze desses pontos e persiste por mais de três meses
A dificuldade em identificar o mecanismo causal da fibromialgia tem resultado em tratamentos inespecíficos que consistem na administração combinada de antidepressivos, analgésicos, relaxantes musculares e antiepiléticos, e tratamento não farmacológico com exercícios, terapias alternativas e técnicas de relaxamento.
Recentemente, o FDA (Food and Drug Administration, órgão que regulamenta medicamentos nos EUA) aprovou o primeiro medicamento específico para tratamento da fibromialgia. Este medicamento será comercializado pela empresa Pfizer e recebe o nome comercial de Lyrica, cujo principio ativo é a pregabalina. A pregabalina age ligando-se a uma subunidade auxiliar (chamada proteina a2-5) dos canais de cálcio dependentes de voltagem presentes no sistema nervoso central, que parece ser importante para a transmissão da informação neuronal. Assim, haveria inibição da atividade de determinados neurônios, o que diminuiria os sintomas relacionados à fibromialgia. Normalmente é indicada para o tratamento da dor neuropática, de epilepsia e ansiedade generalizada. Ainda, também no Brasil a pregabalina teve seu registro aprovado, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para tratamento de dores neuropáticas. Entretanto, sua aprovação como primeiro medicamento para tratamento da fibromialgia levantou questões sobre a existência ou não desta doença, uma vez que até hoje não existem provas científicas da existência desta. Até mesmo o próprio Frederick Wolfe levanta questionamentos sobre sua existência, já que atualmente acredita que as dores descritas podem ser, na verdade, respostas físicas ao stress, depressão e ansiedade. Neste sentido, perguntamos: se existem dúvidas sobre sua existência, esta droga poderá mesmo ser empregada para o tratamento da fibromialgia? Também é importante lembrar que a pregabalina é uma droga com propriedades farmacológicas bastante inespecíficas, uma vez que se liga a canais de cálcio presentes em todo o sistema nervoso central, e que apresenta efeitos colaterais intensos como aumento de peso, tontura, náusea e sonolência. Portanto, será mesmo que esta droga pode ser indicada e rotulada como a primeira droga para o tratamento da síndrome conhecida como fibromialgia? Ou se trata apenas de outro produto mercadológico que visa aumentar o lucro das empresas produtoras de medicamentos? É para se pensar..
* Farmacêutica-Bioquimica, Doutoranda do Departamento de Farmacologia da FMRP-USP







