Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Dor crônica e depressão: diferenciando aspectos sensoriais e emocionais da dor

DOL · Dor On Line Edição 59 · Junho 2004 ⭳ Baixar em PDF

A ocorrência de distúrbios depressivos é maior em pacientes com dores crônicas do que no restante da população. O motivo deste aumento de incidência é desconhecido, porém existem hipóteses de que um distúrbio poderia causar o outro ou que um mesmo fator poderia predispor o indivíduo às duas patologias. Para verificar a relação entre dor crônica e depressão, Giesecke e cols. avaliaram, através de ressonância magnética funcional, as áreas cerebrais ativadas por estímulo doloroso de mesma intensidade em pacientes com fibromialgia, relacionando estas áreas e a intensidade dolorosa reportada pelos pacientes ao nível de depressão diagnosticada. O aspecto interessante observado pelos autores é que a depressão não interfere com os aspectos sensoriais e discriminatórios (localização e intensidade da dor reportada), mas está relacionada com um aumento da ativação de áreas cerebrais que processam o aspecto afetivo e emocional da dor. O estudo sugere que existem processamentos paralelos, e de certa forma independentes, dos aspectos sensoriais e emocionais da dor e que talvez o tratamento com antidepressivos em pacientes com dores crônicas atue somente no aspecto emocional da dor. Nota da redação: Esse trabalho é interessante tanto pela relação entre a dor e a depressão quanto pela diferenciação entre o aspecto sensorial e emocional da dor. Por este estudo pode-se imaginar que uma pessoa deprimida tem a mesma sensação dolorosa que os demais, mas esta dor seria mais desagradável devido ao aumento do processamento emocional. Referência: Relationship Between Depression, Clinical Pain, and Experimental Pain in a Chronic Pain Cohort. Arthritis & Rheumatism, 2005;52(5):15771584.

← Voltar à edição 59