
Ferro no cérebro e dor de cabeça
O acúmulo de ferro em certas regiões cerebrais é um achado que pode ajudar a explicar a razão pela qual 10 a 20% das pessoas com enxaqueca passam a ter a forma crônica da doença, com crises praticamente diárias. A última edição do periódico britânico Cephalalgia publicou uma pesquisa que confirma que pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam depósitos de ferro no tronco cerebral, mostrando também que isso acontece em núcleos da base. Em conjunto, todas essas regiões fazem parte de “circuitos” de modulação da dor. O que chamou muito a atenção dos pesquisadores foi o fato do depósito de ferro ter sido maior em pessoas que sofriam de enxaqueca há mais tempo, o que sugeriu que, quanto mais frequentes as crises de enxaqueca, maiores os depósitos de ferro. Além destes depósitos de ferro, outras consequências das crises repetitivas de enxaqueca são alteração da sensibilidade e mudanças estruturais do tronco cerebral, redução da substância cinzenta de algumas regiões cerebrais, lesões da substância branca cerebral, além de aumento do risco de derrames. Devido a isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece essa doença como um problema de alta prioridade que provoca incapacidade, em adição ao grande custo à sociedade, que vai muito além das questões orgânicas acima discutidas, envolvendo sérios prejuízos de ordem emocional, social e econômica. Referência do estudo original: MC Kruit, LJ Launer, J Overbosch, MA van Buchem & MD Ferrari. Iron accumulation in deep brain nuclei in migraine: a population-based magnetic resonance imaging study. Cephalalgia 2009 Mar;29(3):351-9. Fonte: http://consciencianodiaadia.com/2009/02/07/